“Há estabilidade quando a política resolve os problemas das pessoas em vez de os criar”

30 de julho 2017 - 14:35

Catarina Martins esteve este domingo no parque de campismo de São Gião, onde decorre o acampamento de verão do Bloco "Liberdade 2017”, para apresentar o painel “Para quê um partido?”.

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Catarina Martins apresentou este domingo o painel "Para quê um partido?" no acampamento de verão "Liberdade 2017". Foto de NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA.

Interpelada pelos jornalistas sobre a entrevista do Presidente da República ao Diário de Notícias, em que Marcelo Rebelo de Sousa afirma que "os partidos da área do governo têm de decidir, a cada momento, se querem durar ou não até ao fim da legislatura" Catarina Martins afirmou que “hoje há muito mais estabilidade em Portugal porque quando as pessoas ligam as notícias não estão à espera de ver que o seu salário ou a sua pensão foram cortados e, portanto, sentem essa estabilidade porque têm a segurança de que a sua vida não vai ficar pior a cada dia e, pelo contrário, têm a expectativa de que a cada dia fique melhor”.

“Há estabilidade quando a política resolve os problemas das pessoas em vez de criar problemas às pessoas”, frisou a coordenadora bloquista.

Segundo Catarina Martins, “vivemos durante quatro anos, de maioria absoluta PSD/CDS-PP com a ‘troika', com enorme instabilidade política porque as pessoas todos os dias tinham problemas novos".

“Vivemos agora, com uma outra solução política, estabilidade porque as pessoas sabem que a maioria que existe e as posições que foram acordadas visam resolver os problemas das pessoas”, acrescentou a dirigente do Bloco.

Catarina Martins enfatizou que, “enquanto no quadro parlamentar cumprirmos todos a nossa parte – e eu acho que não há ninguém que não saiba que o Bloco de Esquerda cumpre a sua parte – para que todos os dias tenhamos soluções para as pessoas e não criar novos problemas, a estabilidade parlamentar está também assegurada".

No que respeita à negociação do próximo Orçamento de Estado, Catarina Martins sinalizou que existem "dificuldades, que não significam instabilidade, mas que significam que é preciso partir muita pedra para chegarmos às melhores soluções em caminhos em que os partidos têm algumas divergências".

"Se formos fazendo este caminho de criarmos soluções, de recuperarmos rendimentos de trabalho e das pensões, recuperar direitos de quem trabalha e, também muito importante, se fortalecermos os serviços públicos e a capacidade do Estado responder às populações, temos condições para fazer o caminho que temos pela frente", vincou.

É tão importante que as gerações mais jovens não fiquem arredadas da participação política

Catarina Martins assinalou que “o Bloco todos os anos organiza um acampamento para discutir o que é que fazemos, e hoje estamos aqui para, entre outras coisas, discutir para que é que serve um partido, ou seja, porque é que as pessoas se juntam e se organizam para disputar formas de como é que o país deve ser, de como o mundo pode ser transformado”.

Em discussão estão também “as responsabilidades que cada ativista do Bloco de Esquerda tem nas suas diversas áreas de atuação para transformar o país no sentido da igualdade, de uma maior justiça, as razões pelas quais estamos aqui juntos e porque é que é tão importante hoje as gerações mais jovens não ficarem arredadas da participação política”, avançou.

Conforme apontou a coordenadora bloquista, “se as gerações mais jovens não tiverem uma voz sobre como querem desenhar o seu futuro, alguém vai decidir por elas e pode mesmo decidir contra elas”, sendo que “a participação política é essencial para podermos desenhar juntos um futuro digno com espaço para todos e para todas”.

“Há, certamente, muitos problemas na política e eles devem ser discutidos, mas nós temos de compreender que o populismo contra os partidos serve, de facto, os grandes interesses económicos que governam e mandam à margem de qualquer legitimidade democrática e, portanto, como a democracia não é algo que estará sempre aqui se não lutarmos por ela, ou participamos para que a voz das pessoas seja ouvida e tenha força nas decisões coletivas ou, se não o fizermos, serão sempre os grandes grupos económicos, a finança internacional, a tomar a decisão por nós”, alertou Catarina Martins.