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Há discriminação de alunos repetentes no ensino básico

As conclusões de um estudo da Universidade Nova de Lisboa apontam para o facto de o percurso académico contribuir mais para a segregação de turmas que a nacionalidade ou origem socioeconómica. Cenário é mais acentuado no ensino secundário.
Há discriminação de alunos repetentes no ensino básico
Fotografia de Paulete Matos.

No momento da formação das turmas, o percurso académico dos alunos até aí é um dos fatores mais importantes. Segundo as conclusões de um grupo de investigadores da Universidade Nova de Lisboa, pelo menos um quarto dos estabelecimentos do ensino básico discriminam os alunos que trazem chumbos no currículo. 

A notícia é da edição de hoje do semanário Expresso, e foca-se naquele que é o maior estudo sobre o fenómeno da segregação em escolas públicas num fenómeno que era conhecido, mas estava por quantificar. 

A equipa de investigadores trabalhou a partir de uma base de dados fornecida pelo Ministério da Educação, onde constavam dados de todos os alunos matriculados no sistema de ensino público ao longo de uma década (2006/2007 a 2016/2017). De seguida, debruçaram-se sobre três indicadores: a origem socioeconómica (estudantes que recebem apoio da ação social escolar), a naturalidade (aluno ou pai nascidos no estrangeiro) e percurso académico (se já chumbou alguma vez).

O que os investigadores da Nova School of Business and Economics (Nova SBE) verificaram é que, em média, 20% dos alunos do 5º ao 9º anos com pelo menos uma retenção são colocados em ‘turmas de repetentes’. Porém, as práticas diferem entre escolas. 

Num quarto dos estabelecimentos de ensino estudados a segregação só atinge, no máximo, 10% dos alunos que já chumbaram. Já em outro quarto chega a afetar pelo menos um terço dos alunos repetentes. Nestes casos, "há uma concentração anormal de alunos com chumbos em determinadas turmas”, explica o jornal. 

“Seria preciso recolocar, no mínimo, 33% dos jovens noutras turmas para que a sua distribuição fosse equilibrada, atendendo às características da população desse mesmo estabelecimento de ensino”. 

A situação torna-se mais acentuada quando se analisa o ensino secundário, onde os valores médios de segregação de repetentes nas escolas duplicam e andam entre os 30% e os 45%.

Analisando a distribuição dos alunos de acordo com a origem socioeconómica e naturalidade, a equipa de investigadores encontrou níveis de segregação médios mais baixos, na ordem dos 15%. Ou seja, o maior fator de segregação é o percurso académico (alunos com pelo menos uma retenção).

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