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Gustavo Petro diz que as COP estão esgotadas e propõe decálogo de ações

O presidente colombiano falou na COP-27 para defender que a crise climática só se resolve se o mundo deixar para trás o petróleo e o carvão. Sublinhando que as cimeiras da COP já não dão respostas, afirmou que esta "é a hora da humanidade e não dos mercados".
Gustavo Petro na COP27. Imagem Youtube.

O discurso de Gustavo Petro na cimeira do Clima que arrancou esta semana no Egito marcou a diferença com a apresentação de um decálogo para inverter o rumo climático do planeta. "As conferências globais dos governos devem colocar a política no comando para gerar um plano global de abandono dos hidrocarbonetos de forma imediata. A descarbonização é uma mudança real e profunda do sistema económico dominante. Esta é a hora da humanidade e não dos mercados", afirmou o presidente da Colômbia em Sharm El-Sheik.

"A solução é um mundo sem petróleo e sem carvão", prosseguiu Petro, sublinhando que as cimeiras da COP "já não dão respostas e o tempo esgotou-se". "Chegou a altura de desvalorizar a economia dos hidrocarbonetos com datas definidas para o seu final e valorizar os ramos da economia descarbonizada", prosseguiu o chefe de Estado.

Para concretizar o seu discurso, Gustavo Petro apresentou o decálogo que a Colômbia propõe para "atuar de forma mais contundente no mundo, salvar a vida do planeta e evitar a extinção da espécie humana":

 

  1. A humanidade tem de saber que se a política global não ultrapassar a crise climática, ela será extinta. Os tempos da extinção em que vivemos devem levar-nos a agir agora e globalmente como seres humanos, com ou sem a permissão dos governos. Chegou o momento da mobilização de toda a humanidade.
  2. O mercado não é o mecanismo principal para superar a crise climática. É o mercado e a acumulação de capital que a produziu e nunca será o seu remédio.
  3. É o planeamento multilateral global e público que nos permite avançar para uma economia global descarbonizada. A ONU deve ser a instância para esse planeamento.
  4. É a política global, ou seja, a mobilização da humanidade, que irá corrigir o rumo, não o acordo entre tecnocratas, muitos dos quais influenciados pelos interesses das empresas de carvão, petróleo e gás.
  5. Há que salvar os pilares do clima do planeta, antes de tudo. A floresta  amazónica é um dos quatro existentes. A Colômbia contribuirá anualmente com 200 milhões de dólares, durante 20 anos, para salvar a floresta amazónica no seu território. Aguardamos a contribuição mundial.
  6. A crise climática só pode ser superada se deixarmos de consumir hidrocarbonetos. É tempo de desvalorizar a economia dos hidrocarbonetos com datas definidas para o seu fim e valorizar os ramos da economia descarbonizada. A solução é um mundo sem petróleo e carvão.
  7. Os tratados fundadores da Organização Mundial do Comércio (OMC) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) são contrários à solução da crise climática e devem, portanto, ser subordinados e reformados aos acordos da COP e não o contrário. Enquanto mantivermos o atual tratado da Organização Mundial do Comércio, não avançaremos, retrocederemos na resolução da crise climática e estaremos cada vez mais perto do fim.
  8. O FMI deve iniciar o programa de troca de dívida por investimento para a adaptação às alterações climáticas e mitigação das mesmas em todos os países em desenvolvimento do mundo. As atuais políticas de bloqueio económico não são favoráveis à democracia e vão no sentido contrário ao tempo da humanidade para agir contra a crise.
  9. A banca privada e multilateral do mundo devem deixar de financiar a economia dos hidrocarbonetos.
  10. As negociações de paz devem começar imediatamente. A guerra retira o tempo vital da humanidade para evitar a sua extinção.

Debate General de la Convención Marco de las Naciones Unidas sobre el Cambio Climático – COP27

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