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Guerra no noroeste da Síria faz mais de meio milhão de deslocados

Os conflitos que ocorrem desde dezembro entre o exército de Assad e extremistas islâmicos já causaram mais de meio milhão de deslocados. Aumento do número de pessoas junto à fronteira com a Turquia deu origem a confrontos entre as tropas de Erdoğan e de Assad.
Guerra no noroeste da Síria faz mais de meio milhão de deslocados
Foto de Lusa/EPA/Gihth Sy.

De acordo com as Nações Unidas, os confrontos que decorrem há dois meses no noroeste da Síria já deram origem a cerca de meio milhão de deslocados.

"Desde o dia 1 de dezembro que 520 mil pessoas estão deslocadas (...) sendo que a maioria (80%) são mulheres e crianças", disse David Swanson, porta-voz do Gabinete para os Assuntos Humanitários das Nações Unidas, à France Presse.

De acordo com os dados da ONU, a maioria das pessoas afetadas pela ofensiva em curso em Idlib são nacionais sírios que já antes tinham fugido de outras regiões do país afetadas pela guerra.

Os confrontos na província de Idlib, no noroeste da Síria, aumentaram desde que o exército de Bachar al-Assad deu início à ofensiva contra a organização Hayat Tahrir al-Cham, ex-braço sírio da Al Qaeda. Estava em vigor um cessar fogo desde 2018, mas o aumento da influência da Hayat Tahrir al-Cham fez com que o Exército de Damasco avançasse.

Com bombardeamentos apoiados pela Rússia, Assad tenta reconquistar várias cidades e povoações da província de Idlib e, enquanto isso, desrespeita vários dos cessar-fogo estabelecidos. Desde dezembro, foram já trinta as localidades reconquistadas.

"A violência é quase quotidiana (...) e causam um sofrimento injustificável a centenas de milhares de pessoas que vivem na zona", reforça Swanson em declarações traduzidas pela agência Lusa.

"Esta última vaga de deslocados é agravada por uma situação humanitária que já é desastrosa (…) a maior parte dos deslocados ficam nas zonas urbanas ou nos centros de acolhimento de Idlib", perto da fronteira com a Turquia, ou na região síria de Alepo, disse.

O aumento do número de deslocados que abandonam as suas cidades e fogem para a fronteira com a Turquia fez com que o país interviesse, elevando assim as tensões entre Damasco, Ancara e Moscovo. Na passada segunda feira teve lugar uma troca de tiros entre as tropas turcas e as forças de Assad, culminando na morte de oito militares turcos e 13 militares sírios. Erdoğan já ameaçou com o continuar do conflito caso o Exército de Assad não recue para as linhas do anterior cessar-fogo.

“Esta é uma nova era na Síria. Nada poderá continuar igual quando foi derramado sangue de tropas turcas”, afirmou Erdoğan num comunicado ao seu partido.

Entre abril e agosto de 2019 a região síria foi marcada por uma grande ofensiva que causou milhares de vítimas, segundo o Observatório Sírio para os Direitos do Homem. O regime de Bachar al-Assad controla 70% do país e não dá sinais de se preparar para desistir da reconquista do noroeste da Síria.

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