Grupos judeus manifestam-se na Casa Branca pelo fim do genocídio em Gaza

17 de outubro 2023 - 19:14

Manifestantes instaram a administração Biden a pressionar Netanyahu para que Israel abandone os seus planos de uma invasão militar de Gaza e, em vez disso, declare um cessar-fogo imediato. Um grupo de proeminentes democratas progressistas dos EUA também apresentou uma resolução nesse sentido.

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Foto de JIM LO SCALZO ; POOL, EPA/Lusa.

Acusando o governo de Benjamin Netanyahu de planear um “genocídio” do povo palestiniano, largas centenas de ativistas do IfNotNow e da Voz Judaica pela Paz juntaram-se na segunda-feira em frente a Casa Branca e entoaram slogans, empunharam cartazes e cantaram antigas canções judaicas em protesto contra o que consideraram ser uma resposta imoral ao ataque do Hamas. Empunhando cartazes com palavras de ordem como “A minha dor não é a sua arma”, “Os judeus dizem: cessar-fogo agora”, “Palestina livre”, "Não à guerra, não ao apartheid" e “Parem o genocídio em Gaza”, os manifestantes explicaram que pretendem que os EUA cessem o seu apoio à ocupação da Cisjordânia por Israel, e ao que descreveram como o “sistema de apartheid” do Estado judeu.

Os manifestantes apontaram o dedo a Joe Biden, que consideram ser cúmplice dos bombardeamentos e do cerco imposto à faixa de Gaza, assim como da consequente crise humanitária que se vive no território. A possibilidade de o presidente dos EUA aceitar o convite do primeiro-ministro israelita para visitar Israel também mereceu fortes críticas.

Segundo reportagens da ABCNews, pelo menos 30 pessoas foram presas durante o protesto, acusadas de entrada ilegal ou invasão.

Eva Borgwardt, diretora política do IfNotNow, exigiu uma reunião urgente com Biden. “O que está em jogo é de vida ou morte”, frisou. “Estamos aqui para dizer ao Presidente Biden, como comandante-chefe das forças armadas mais poderosas do mundo, que ele precisa de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para exigir um cessar-fogo, para exigir uma desescalada, para libertar os reféns israelitas e para abordar as circunstâncias subjacentes que nos levaram a este pesadelo”, continuou a ativista, citada pelo The Guardian.

Os organizadores dos protestos garantiram estar preparados para recorrer à desobediência civil para influenciar a política dos EUA, incluindo o bloqueio de entradas e saídas da Casa Branca.

Democratas progressistas pedem cessar-fogo

Num momento em que aumentam os temores de que a guerra se possa transformar num conflito regional mais amplo, um grupo de proeminentes democratas progressistas dos EUA apresentou uma resolução na segunda-feira pedindo um cessar-fogo no conflito entre Israel e o Hamas.

No documento, subscrito por 13 membros democratas do Congresso, entre os quais Rashida Tlaib, do Michigan, Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova Iorque, e Cori Bush, do Missouri, a administração Biden é instada a “apelar e facilitar imediatamente a desescalada e um cessar-fogo para acabar urgentemente com a violência atual”, bem como a “enviar e facilitar imediatamente a entrada de assistência humanitária a Gaza”.

“Todos sabemos que a punição coletiva de milhões de palestinianos é um crime de guerra. Ninguém – ninguém – pode negar isso”, disse Rashida Tlaib, citada pelo The Guardian.

“A resposta aos crimes de guerra nunca poderá ser respondida com mais crimes de guerra”, vincou.

Esta tomada de posição destoa da postura adotada pela maioria dos democratas, que prometeram solidariedade incondicional com Israel.