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Gronelândia está a perder gelo quatro vezes mais depressa do que o previsto

Estudo revela que camadas de gelo na Gronelândia estão a derreter quatro vezes mais rápido que o previsto. É o último numa série de artigos nos últimos dois meses com conclusões preocupantes sobre as alterações climáticas.
Icebergues em Ilulissat Icefjord, Gronelândia. Foto de Mark Garten/ONU/Flickr.

As massas de gelo na Gronelândia estão a desaparecer quatro vezes mais rápido que o que se supunha, agravando o problema da subida do nível dos mares, revelou um estudo publicado esta semana.

A investigação, liderada por Michael Bevis da Ohio State University e publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, analisou as alterações nas massas de gelo a partir de dados de satélite da NASA e de postos GPS no terreno. Segundo o New York Times, concluiu que, entre 2002 e 2016, a Gronelândia perdeu 280 biliões de toneladas de gelo por ano, que, ao entrar nos oceanos, poderá contribuir para um aumento do seu nível em cerca de 1 cm. Se a totalidade da massa de gelo do Ártico se diluir, o nível dos mares pode subir 7 metros.

A subida do nível dos mares resulta do aumento global das temperaturas, que neste momento já se estima estarem 1 grau Celsius acima da época pré-industrial. Por um lado, temperaturas mais altas aquecem a água e levam à sua expansão em volume - a chamada expansão termal dos oceanos, atualmente o principal fator de subida do nível dos mares. Por outro lado, levam ao derretimento das massas de gelo no Ártico e no Antártico.

O estudo da PNAS agora divulgado introduz novos elementos que permitem compreender melhor este segundo mecanismo. Até agora, a comunidade científica julgava que o principal problema estava nos grandes glaciares a nordeste e sudeste da Gronelândia, que, ao fraturar, produzem enormes massas de gelo à deriva pelo oceano. Mas as grandes planícies geladas do sudoeste, onde não se verifica esse fenómeno, estão também a derreter e fluir lentamente para o mar, num processo até agora invisível mas que poderá ser tão ou mais importante.

Este artigo segue-se a outros que se acumularam rapidamente nos últimos dois meses com conclusões preocupantes sobre as alterações climáticas. Em dezembro, soube-se que a Gronelândia está a perder gelo ao ritmo mais rápido dos últimos 350 anos, e que o Ártico descarrega agora 14 mil toneladas de água por segundo nos oceanos (artigos na Nature e IOPScience); em janeiro, soube-se que os oceanos estão a aquecer 40% mais rápido que o esperado e que, a Sul, a Antártida perde também gelo mais rapidamente que o esperado (artigos na Science e PNAS).

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