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Greve na TAP desconvocada, mas "insatisfações não desapareceram com varinha magica"

Em assembleia geral do SNPVAC, os tripulantes decidiram desconvocar a paralisação marcada para esta semana. “Houve cedências de ambas as partes”, diz o líder do sindicato.
Foto André Carneiro/Flickr

Por 654 votos contra 301 e 20 abstenções, os tripulantes de cabine da TAP reunidos em assembleia geral do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) decidiram desconvocar a greve prevista para entre 25 e 31 de janeiro. O volte-face desta segunda-feira acontece quatro dias depois de outra assembleia ter confirmado a paralisação, apesar de a empresa ter aceitado 12 das 14 reivindicações apresentadas pelos tripulantes.

O presidente do SNPVAC, Ricardo Penarróias, admitiu aos jornalistas que “houve cedências de ambas as partes” e quanto aos dois pontos onde continua a não haver acordo, nomeadamente o regresso do chefe de cabine aos voos de longo curso e o fim da precariedade na empresa, “é nas negociações do Acordo de Empresa que temos de nos bater”.

Falta de unanimidade “é uma mensagem também para a empresa”

Ricardo Penarróias afirmou ainda que não se trata de um "acordo temporário", mas sim o regresso a condições de estabilidade que “tinham sido congeladas com o acordo de emergência”. Por outro lado, a falta de unanimidade na votação, ao contrário das anteriores, “é uma mensagem também para a empresa”, prosseguiu o sindicalista, citado pela agência Lusa.

“Apesar do acordo continua a haver insatisfação por parte dos trabalhadores do grupo TAP, pelo plano de reestruturação. As insatisfações não desapareceram com varinha magica só porque fizemos um acordo”, vincou.

Do lado da empresa, a mensagem foi de congratulação pela decisão dos tripulantes, pois “esta decisão conduz a uma nova etapa na vida da TAP, reabrindo a negociação do novo Acordo de Empresa, juntando agora todos os sindicatos representativos dos trabalhadores da TAP, na busca de um equilíbrio que permita cumprir os termos do Plano de Restruturação”.

A TAP tinha comunicado que a greve teria um impacto direto de 48 milhões de euros nas contas da empresa com o cancelamento de 1.316 voos. Agora promete "manter esta abertura e diálogo com todas as estruturas representantes dos trabalhadores”.

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