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Greve na Petrogal: “esta luta constrói direitos do trabalho”

Esta quinta-feira, Catarina Martins encontrou-se com trabalhadores da Petrogal, em Sines, em greve há mais de 40 dias. A coordenadora do Bloco bate-se pelo fim da caducidade unilateral da contratação coletiva: “os trabalhadores lutam para que as suas condições não se degradem”, afirmou.

Em greve há mais de 40 dias, os trabalhadores lutam contra a possibilidade de a empresa acabar com o contrato coletivo de trabalho, numa “das maiores empresas do país, uma refinaria importantíssima para a balança comercial”, de acordo com Catarina Martins, que afirma ainda que a empresa “quer descer os direitos destes trabalhadores, pagar menos”.

Dizendo que é “inaceitável que uma empresa com os lucros que tem a GALP queira explorar trabalhadores”, considera que “esta luta é muito justa”: “tem que ver com a caducidade da contratação coletiva, com o facto de a legislação permitir a uma empresa, aos patrões, acabar com um contrato coletivo de trabalho para depois baixar os direitos e com o recurso a outsourcing para ter trabalhadores precários toda a vida, ainda que ocupem funções permanentes na empresa”.

Assim, “esta luta constrói direitos do trabalho”. Num momento em que as maiores empresas do país, tal como a Galp, têm aumentado os dividendos que pagam aos seus acionistas ou aumentado dos salários dos administradores, “é bom lembrar que quem produz a riqueza, quem faz o país andar, são os trabalhadores que aqui estão todos os dias; os direitos e os seus salários são essenciais não só à sua vida mas também à economia e à qualidade da nossa democracia”, afirmou.

De acordo com o sindicato, esta greve já significou uma diminuição de 25% da produção planeada pela empresa, havendo um prejuízo de milhões de euros. Ou seja, “o que a empresa perdeu é tanto que já podia ter respondido às reivindicações de todos os trabalhadores”. “Não é que não tenho a capacidade financeira, faz isto para poder descer os seus direitos e pô-los a ganhar cada vez menos”, afirmou a coordenadora do Bloco, contestando a “concentração da riqueza” que existe porque se paga “cada vez mais aos altos cargos ao mesmo tempo que quem trabalha ganha cada vez menos”.

Para Catarina, esta operação tem de ser contestada, seja através da greve ou do parlamento. Por isso”é preciso acabar com a chantagem da caducidade unilateral da contratação coletiva, com o recurso ao outsourcing para manter trabalhadores precários durante décadas. E é preciso uma nova lei do trabalho por turnos que respeite quem tem estes horários e esta penosidade tão grande no seu quotidiano”, afirmou em Sines.

A coordenadora d Bloco lembrou ainda que esta greve não é sequer uma “luta por mais direitos”, sendo uma luta “pelo direito a que as suas condições não se degradem”. “Numa empresa como a Galp, com lucros milionários, é absolutamente inaceitável”, disse Catarina Martins.

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