Está aqui

Greve na Função Pública com escolas encerradas e hospitais em serviços mínimos

A Frente Comum diz que a adesão à greve mostra que os trabalhadores do Estado compreendem a necessidade de lutar contra o empobrecimento a que o Governo os condena no próximo ano.
Alunos observam o aviso à entrada da Escola Secundária Quinta das Flores, em Coimbra. Foto Paulo Novais/Lusa

Ao início da manhã, a Frente Comum estimava uma adesão à greve acima dos 80% nos turnos da noite. “Os dados que temos da noite mostram um extraordinário arranque da greve, com perturbações na recolha de resíduos sólidos em todo o país e serviços mínimos nos hospitais”, disse à agência Lusa o coordenador da Frente Comum, Sebastião Santana. Face à intenção do Governo de dar aumentos mínimos de 52 euros ou de 2% para os funcionários públicos em 2023, a Frente Comum contrapõe aumentos de 10% ou um mínimo de 100 euros para fazer face à escalada da inflação e evitar a perda brutal de poder de compra que já se verifica este ano.

"Isto é revelador que os trabalhadores se reveem nesta forma de luta e veem a necessidade de lutarem pelos seus direitos. Os trabalhadores estão a empobrecer e o Governo quer que eles continuem a empobrecer no próximo ano. Não dá resposta à progressão das carreiras, não quer alterar de forma decisiva o sistema de avaliação e isto obriga os trabalhadores a vir para a rua", acrescentou Sebastião Santana.

O país deparou-se de manhã com muitas escolas encerradas devido à falta de asistentes operacionais. “A maioria dos trabalhadores da função pública vai ter um aumento de 52 euros, no meu caso, e no de milhares de assistentes operacionais, passo de 705 euros para 761, a partir de janeiro”, afirmou Lurdes Ribeiro, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte (STFPSN). “Isto é inaceitável, não só a nível salarial, mas também no que se refere às carreiras. Os trabalhadores estão mesmo desagradados com estas manobras de fingir que dão e ao mesmo tempo não estão a dar”, acrescentou a sindicalista junto a uma das escolas encerradas.

Ao início da manhã. o líder da Fenprof disse acreditar que a maioria das escoas do país iria encerrar esta quinta-feira. “Quando ouvimos os governantes a afirmar que os funcionários públicos vão ter o maior aumento da década isso é verdade, mas esconde a verdade maior de que os funcionários vão ter a maior perda salarial da década. […] Eu diria que, quando tivemos uma inflação zero e um aumento zero tivemos uma perda menor do que agora com 2% ou 3% [de aumento] e uma inflação de 10%”, afirmou Mário Nogueira à Lusa.

No hospital de Faro, a adesão à greve por parte dos enfermeiros - que também estiveram em greve na véspera e regressam à paralisação a 22 e 23 de novembro - rondou os 70%. Uma “adesão excelente”, referiu à Lusa Nuno Manjua, da delegação algarvia do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

Catarina diz que é preciso "garantir que não se perde salário face à inflação".

Catarina Martins esteve de manhã no piquete de greve no Hospital de São José, em Lisboa, e considerou justa a luta dos trabalhadores a quem o Governo apenas oferece a perspetiva de continuarem a perder salário, dado que o "Orçamento do Estado não compensa minimamente a subida da inflação e não controla os preços". Catarina lembrou que o próprio acordo do Governo para a Função Pública prevê aumentos muito abaixo da inflação e deixa de fora muitos trabalhadores, como os que estão em regime de outsourcing e as carreiras especiais como a saúde, professores e forças de segurança.

"Este é o tempo de olhar para as condições salariais e de trabalho no Estado, que se tem vindo a degradar de forma muito rápida", afirmou Catarina Marins, para "garantir que não se perde salário face à inflação".

"Se as receitas do Estado aumentam com a inflação, porque é que quem trabalha para o Estado há-de viver cada vez pior? Isso é verdade para o Estdo como para o privado. É preciso que os salários acompanhem a inflação e medidas para controlar preços", defendeu a coordenadora do Bloco.

Termos relacionados Sociedade
(...)