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Greve na British Airways cancela voos segunda e terça-feira

Quase todos os voos da companhia aérea britânica nesta segunda e terça-feira foram cancelados. A greve dos pilotos da British Airways impediu a realização de mais de 1700 ligações, afetando cerca de 280 mil passageiros. Em Portugal pelo menos seis partidas e seis chegadas não se realizaram.
Greve na British Airways.
Greve na British Airways. Foto de Will Oliver. EPA/Lusa.

Quase não houve voos da British Airways esta segunda-feira. E amanhã o cenário deve repetir-se. A empresa confirma os números do impacto esmagador da greve dos pilotos da companhia aérea. Com à volta de 1700 voos cancelados, foram cerca de 280 mil os passageiros que ficaram em terra.

A principal reivindicação dos pilotos é a melhoria dos salários. Os pilotos exigem uma percentagem maior dos quase dois mil milhões de lucros anuais da empresa. A administração ainda ofereceu um aumento de 11,5% em três anos mas os pilotos, que auferem aproximadamente 100 mil euros por ano recusaram. 93% votaram a favor da greve convocada pelo sindicato Balpa marcada para esta segunda-feira, para terça-feira e para o próximo dia 27 de setembro. Em declarações à BBC, Brian Strutton, Secretário-geral do Sindicato, afirmou que “a British Airways está a viver bons tempos, queremos partilhar esses lucros tal como partilhados a dor nos maus tempos” e acrescentou que até ficaria mais barato à transportadora aérea pagar o aumento do que lidar com os custos dos três dias de greves.

Segundo a agência Lusa, em Portugal, para já, foram canceladas três partidas do Aeroporto de Lisboa e três do Aeroporto de Faro para Londres. Também foram canceladas quatro chegadas a Faro e duas a Lisboa.

Uma greve de ricos?

Com salários bem acima da média, não faltou quem falasse numa greve de privilegiados. Os pilotos reagem explicitando que houve cortes nos salários quando a empresa estava a perder dinheiro e que foram então obrigados a outras condições de trabalho com aumento significativo da carga de trabalho. Também referem que as condições salariais dos pilotos mais jovens ficam demasiado longe dos pilotos mais bem pagos e que alguns têm de pagar a formação do seu próprio bolso.

Em carta anónima ao Guardian, um piloto resume esta situação: “depois de anos de cortes de pagamentos e de pensões, disseram-nos, a nós pilotos, que beneficiaríamos quando a a companhia aérea voltasse aos lucros. Isso não aconteceu.” O piloto não identificado descreve os aumentos salariais abaixo da inflação ao longo de mais de uma década, o “esvaziamento das provisões de pensões”, como os pilotos investem quase 150 mil euros para obter a licença profissional para depois nem sequer serem empregados pela companhia aérea mas ficarem como prestadores de serviços sem direito a férias, baixas e outras licenças.

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