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Greve massiva dos trabalhadores de transportes em Paris contra aumento da idade da reforma

A adesão à greve dos transportes públicos em Paris foi massiva. O governo de Macron quer acabar com 42 regimes especiais de aposentação entre os quais o dos trabalhadores da RATP, empresa que gere metro, autocarros e comboios da capital francesa.
Trabalhadores da RATP em frente à sede da empresa em dia de greve. Setembro de 2019.
Trabalhadores da RATP em frente à sede da empresa em dia de greve. Setembro de 2019. Fot de Révolution Permanente. Twitter.

320 quilómetros de engarrafamentos, transportes públicos parados, preços dos Uber a disparar. Foi assim esta sexta-feira em Paris devido à greve dos trabalhadores da RATP, a empresa de transportes públicos que serve a capital francesa.

O presidente francês Emmanuel Macron pretende acabar com os regimes especiais de aposentação, 42 no total do país, substituindo-os por um sistema de cálculo por pontos e os trabalhadores reagiram com esta paralisação. Tal como o tinham feito em outubro de 2007 quando Nicolas Sarkozy tentou fazer o mesmo.

Em média, os trabalhadores do sistema de transportes reformam-se aos 55,7 anos face aos 63 do regime geral de aposentações. Por isso, o governo tentou apresentar a medida como sendo de “justiça social” uma vez que seriam os impostos de todos contribuintes a suportar este sistema.

Os trabalhadores acham que, assim posta, a questão está invertida. Numa troca de palavras com o secretário de Estado dos Transportes, o representante da CGT, Jacques Eliez, citado pelo jornal Libération, respondeu ao governo: “se o regime geral nunca foi reformado é vossa culpa, não nos confisquem uma boa herança sob o pretexto de instaurar a equidade na miséria”. Os sindicalistas salientam ainda que a proposta do novo regime de reforma fará os trabalhadores perder entre 500 a 600 euros por mês do valor de reforma e, por isso, insistem, não estão a defender um privilégio.

Foi por compartilharem esta linha de pensamento que milhares de trabalhadores paralisaram. Dez das 14 linhas de metro encerraram de todo. Em quatro outras só circulou, nas horas de ponta, um terço dos comboios previstos. Também duas linhas de comboio regional encerraram e apenas um terço dos autocarros circulou.

A convocatória da greve uniu quase todos os sindicatos do setor. E o sucesso desta greve deu-lhes ainda mais força. Reunidos num plenário que ocupou a sede da empresa, centenas de trabalhadores falam agora na possibilidade de uma “greve ilimitada” em dezembro. E há a perspetiva da unidade se estender a outros setores de atividade. Dois dos setores tradicionalmente mais reivindicativos, os maquinistas e os trabalhadores dos correios, também são abrangidos pela questão. Para além da greve de 2007, os sindicalistas evocam a greve de 1995 contra o plano Juppé para as reformas, a maior desde o maio de 68, que então fez o governo ceder parcialmente.

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