As cantinas escolares do concelho de Guimarães estão concessionadas à empresa Uniself. Aqui trabalham cerca de 200 pessoas, 150 das quais em condições “grande precariedade”, de acordo com Francisco Figueiredo, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte.
Neste dia de greve, cerca de 70 trabalhadoras concentraram-se em frente ao edifício da Câmara Municipal de Guimarães.
Lutam pela a passagem ao quadro de todos os trabalhadores contratados a termo, pela contratação direta de todos os trabalhadores pela Uniself sem qualquer recurso a empresas de trabalho temporário, por um horário completo de 40 horas semanais para os trabalhadores das cantinas de confeção, bem como por uma carga horária mínima de quatro horas diárias e 20 horas semanais para os trabalhadores das cantinas transportadas. Em causa está também a reclassificação e a contratação de trabalhadores com a categoria de despenseiro e encarregado para todas as cantinas de confeção, assim como o pagamento das horas em dívida trabalhadas em janeiro e fevereiro.
Em declarações à agência Lusa, o sindicalista Francisco Figueiredo afirmou que no dia 13 de junho decorreu uma reunião com a administração da Uniself. Todavia, a empresa “não apresentou qualquer proposta” e recusou “aumentar os salários precários da esmagadora maioria” destas profissionais. Consequentemente, a greve agendada para 14 de junho manteve-se.
Em setembro irá realizar-se um novo plenário de trabalhadores, tendo em vista aferir novas formas de luta, caso a empresa mantenha a intransigência negocial.
O Sindicato criticou também a posição da Câmara Municipal de Guimarães, entidade responsável pela adjudicação das cantinas a esta empresa. Francisco Figueiredo considerou que o município “se colocou ao lado do patrão e não ao lado dos trabalhadores, o que não é uma posição aceitável”, acrescentando que a autarquia “não faz nada, não fiscaliza o cumprimento do caderno de encargos”.
A situação laboral das trabalhadoras das cantinas de Guimarães
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte, muitas destas trabalhadoras exercem funções em condições precárias. Há quem trabalhe há mais de 20 anos consecutivos com contratos a termo certo, e outras trabalhadoras que são contratadas em setembro de um ano e despedidas em julho do ano seguinte.
Acresce ainda que várias funcionárias trabalham poucas horas diárias e o valor que recebem não chega sequer para pagar os transportes, “não estão devidamente classificadas, recebem salários baixos, a empresa e a associação patronal recusam negociar melhores salários e a revisão do Contrato Coletivo de Trabalho, e a Câmara Municipal de Guimarães não fiscaliza o Caderno de Encargos”, refere o sindicato.