Num estudo divulgado esta quinta-feira, a Greenpeace comparou o preço dos bilhetes em 112 rotas em nove dias diferentes. Os ativistas descobriram que viajar de comboio é, em média, mais caro em 79 das rotas em análise. Numa viagem entre Londres a Barcelona, por exemplo, a despesa com o transporte ferroviário é até 30 vezes superior ao custo de um bilhete de avião.
“Passagens aéreas de 10 euros só são possíveis porque outros, como trabalhadores e contribuintes, pagam o custo real”, afirmou Lorelei Limousin, ativista climática da Greenpeace.
Portugal merece destaque no que se refere ao facto de estar “extremamente mal” ligado a Espanha por comboio, com apenas uma ligação, entre Porto e Vigo, a ser feita duas vezes por dia.
“Pelo bem do planeta e das pessoas, os políticos devem agir para reverter essa situação e tornar o comboio na opção mais acessível, ou veremos mais e mais ondas de calor como a que está a causar estragos em Espanha, Itália, Grécia e outros lugares”, referiu Limousin.
Stefan Gössling, professor da Universidade Linnaeus, na Suécia, frisou que as descobertas não são uma surpresa, já que o transporte aéreo é altamente subsidiado.
Conforme sublinha o The Guardian, na Europa, as companhias aéreas não pagam impostos sobre o querosene e poucos impostos sobre bilhetes ou IVA. As suas emissões são taxadas apenas para voos dentro da Europa – num nível abaixo do custo social do carbono.
Um estudo publicado no início deste mês pelo grupo Transport and Environment revelou que os governos europeus perderam 34,2 mil milhões de euros devido à má tributação da aviação em 2022. E esse valor deve ascender a 47,1 mil milhões de euros em 2025.
“Resumindo: se viaja de avião, é subsidiado; se opta pelo comboio, será punido por preços mais altos”, disse Gössling.
A indústria da aviação é responsável por cerca de 2,5% da poluição global de carbono, mas liberta também outros gases que aquecem ainda mais o planeta.
Um estudo de coautoria de Gössling aponta que apenas 11% do mundo viajou de avião em 2018 e no máximo 4% usou este meio de transporte para viajar para fora do seu país.
O Greenpeace exigiu que os governos introduzissem “bilhetes climáticos nacionais, simples e acessíveis”. Em 2021, a Áustria começou a vender um bilhete que cobria todos os transportes públicos do país pelo preço de 3 euros por dia. Em 2020, o Luxemburgo tornou-se no primeiro país da Europa a oferecer transporte público gratuito.
Os ativistas também pediram a eliminação gradual dos subsídios às companhias aéreas. “As companhias aéreas estão a beneficiar de incentivos fiscais ultrajantes. Os aviões poluem muito mais do que os comboios, então por que razão as pessoas estão a ser encorajadas a voar?” questionou Limousin.