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Grávidas com dificuldades em agendar ecografias no SNS

Presidente do Colégio da especialidade da Ordem dos Médicos diz que na origem do problema está o desvio de profissionais das atividades de rotina para responder à falta de médicos nos blocos de partos das urgências.
Fotografia de serhii_bobyk no Freepik.

“O problema que temos identificado no SNS é que tem havido um desvio das atividades de rotina para as atividades dos blocos de partos das urgências. Portanto, temos hospitais com pessoas capazes de realizar ecografias, mas que não dedicam o tempo que deviam a este exame”, avançou João Bernardes em declarações à Rádio Renascença.

No hospital de São João, no Porto, não está a ser feita, desde julho, a ecografia do 2.º trimestre às grávidas que são referenciadas pelos centros de saúde.

Manuel Melo, administrador da pediatria, esclarece que esta situação decorre do facto de ter sido necessário responder à falta de médicos nas urgências.

“Efetivamente, tivemos que reduzir a capacidade instalada nos turnos de ecografia no nosso centro de diagnóstico pré-natal para que alguns médicos pudessem também dar resposta ao serviço de urgência e à necessidade do serviço de urgência de ginecologia-obstetrícia. O nosso centro de diagnóstico pré-natal dá resposta não só às grávidas que são seguidas no hospital de São João, mas também às que são referenciadas pelos cuidados de saúde primários”, apontou.

Ainda assim, o São João continua a dar resposta ao chamado protocolo 1, "que é a ecografia de 1.° trimestre e o rastreio bioquímico”, uma vez que “essa resposta é bastante relevante do ponto de vista clínico e de eventual decisão dos pais e da mulher grávida”, acrescentou.

Também faltam médicos no privado com convenções com o SNS para fazer ecografias, na medida em que é uma atividade que, mediante o valor pago pelo serviço nacional de saúde, não é considerada lucrativa para o setor.

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