Está aqui

Grandes depósitos bancários acima de 100 mil euros em nível recorde

Os bancos portugueses têm mais dinheiro depositado desde 2015, tanto nos pequenos como nos grandes depósitos, acima de 100 mil euros. Os grandes depósitos crescem mais, sinal que o crescimento beneficia tendencialmente quem já tem mais dinheiro.
Pilha de dinheiro. Foto: Asierromero/Freepik.
Foto: Asierromero/Freepik.

Os bancos portugueses têm depositados 184 mil milhões de euros em contas abaixo de 100 mil euros, abrangidos pela garantia de depósitos, e 76 mil milhões em contas acima desse valor, segundo dados do relatório de contas de 2018 do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), analisados pelo jornal Público. Ambos os valores têm crescido desde 2015, e o valor dos grandes depósitos e dos montantes sem garantia pode ser um novo recorde.

O Fundo de Garantia de Depósitos é o mecanismo que garante a quem tem conta num banco português que não perde o seu dinheiro se o banco falir: até 100 mil euros, o valor do depósito está garantido pelo Estado. Acima desse valor, pode haver perdas. A garantia é por depositante e instituição de crédito. Ou seja, se uma pessoa tiver 200 mil euros divididos por duas contas de 100 mil euros em dois bancos diferentes, a garantia vale para cada conta em separado.

Em 2018, além de 184 mil milhões de euros em depósitos cobertos pelo Fundo de Garantia, houve outros 76,6 mil milhões nas mãos de grandes depositantes com mais de 100 mil euros. 51,7 mil milhões de euros não estão cobertos, ou seja, estão acima da fasquia dos 100 mil euros. Os grandes depositantes são cerca de 252 mil pessoas e entidades, mas não se sabe como se distribui entre elas o total de 76 mil milhões de euros.

O dinheiro depositado nos bancos esteve relativamente estável entre 2011 e 2015, e tem vindo a subir desde então. Em 2012 e em 2015 teve ligeiras quebras, motivada por causas como a recessão económica, a crise do euro, a intervenção da Troika em Portugal, ou a queda do BES (no verão de 2014). Desde 2015, os valores cobertos e não-cobertos pela garantia de depósitos têm subido, sinal de confiança dos depositantes na segurança das contas bancárias, e também de falta de alternativas. Em 2018, os depósitos com garantia subiram 3,6%; os depósitos sem garantia subiram 6,9%, os montantes não-cobertos pela garantia de depósitos subiram 7,4%.

No total, em 2018 os depósitos subiram 4,4%, um crescimento mais lento que em 2016 (+7,5%) e 2017 (+6,1%). Em declarações ao Público, o economista Ricardo Cabral considerou que o abrandamento pode sugerir "algum abrandamento da atividade económica e/ou do enquadramento externo em 2018 face aos anos imediatamente anteriores". Em relação aos grandes depósitos acima de 100 mil euros crescerem mais depressa que os pequenos depósitos abaixo dessa fasquia, concluiu que a "melhoria da atividade económica beneficia proporcionalmente mais aqueles com maior património financeiro".

Termos relacionados Economia, Sociedade
(...)