Grécia: Receitas fiscais registam quebra de 16%

08 de fevereiro 2013 - 11:35

A receita fiscal grega ficou mais de 300 milhões de euros abaixo do que o previsto pelo governo, o que representa uma quebra de 7%. Em comparação com janeiro de 2013, a redução é de 16%, o equivalente a 775 milhões de euros. Se este desvio não for corrigido até março, serão aprovadas novas medidas de austeridade. Nos últimos três anos, o poder de compra de 93% dos gregos foi reduzido em 38%.

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Os números provisórios da execução orçamental do mês de janeiro apontam para redução acentuada da receita fiscal, tendo o governo arrecadado 4,05 mil milhões de euros em impostos, contra os 4,36 mil milhões previstos pelo executivo.

O memorando de entendimento firmado entre o governo helénico e a troika prevê que, se este desvio não for corrigido até março, serão implementadas novas medidas de austeridade a nível da despesa básica.

Segundo adianta o jornal "Kathimerini", nos próximos dias, o representante do ministério das Finanças grego, Haris Theoharis, vai analisar com os responsáveis das delegações fiscais do país medidas para conter a evasão fiscal, que se tem intensificado desde o início da crise, principalmente de contribuintes com elevados rendimentos.

Poder de compra de 93% dos gregos foi reduzido em 38%

A quebra das receitas fiscais foi essencialmente provocada pela contração do consumo, que determinou a diminuição, de 15%, das receitas provenientes do IVA.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Marc, por encomenda da Confederação Geral de Pequenas Empresas, publicada esta quinta-feira, uma em cada duas famílias gregas tem dificuldade em enfrentar os gastos diários e satisfazer as suas necessidades básicas. Nos últimos três anos, o poder de compra de 93% dos gregos foi reduzido em 38%.

Esta semana, um protesto de agricultores contra os aumentos dos custos de produção, que teve lugar em frente ao Ministério da Agricultura, em Atenas, e durante o qual foram distribuídas cerca de 55 toneladas de legumes e frutas, espelhou o desespero em que se encontram muitas famílias.

Centenas de pessoas, na sua maioria desempregados e pensionistas, dirigiram-se ao local para recolher legumes e frutas, sendo que, quando os produtos começaram a escassear, multiplicaram-se os atropelos, registando-se, inclusive, feridos.

“Ver estas imagens deixa-me furioso. Irrita-me ver um povo orgulhoso que não tem o que comer, que não se pode dar ao luxo de se manter quente, que não consegue chegar ao final do mês”, afirmou o deputado da coligação Syriza Kostas Barkas, em declarações à Reuters.