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Governo reconhece que haverá problemas na ferrovia durante o Verão

Avarias, atrasos e supressões têm sido parte do léxico da ferrovia nacional. Com a chegada do Verão e o aumento de passageiros em algumas linhas teme-se uma crise ferroviária. Em defesa do transporte público sustentável, o Bloco apresentou já um plano ferroviário nacional para as próximas décadas.
Foto de _morgado/Flickr

O gabinete do ministro das Infraestruturas e Habitação admite que “a CP-EMEF tem insuficiências ao nível do material circulante que não podem ser resolúveis no curto prazo” mas garante, em declarações ao jornal Público, que “foram tomadas nos últimos meses algumas medidas ao nível dos planos de manutenção que nos dão garantias de que no Verão de 2019 a capacidade de resposta pode ser melhor do que no Verão de 2018.”

Ainda assim, o gabinete ministerial admite que venham a existir problemas: “este esforço por parte da CP-EMEF para garantir um melhor serviço no Verão de 2019 não resolve as insuficiências da empresa e por isso podem verificar-se perturbações no funcionamento regular durante esse período”.

Falta pessoal, há equipamento obsoleto e avariado já para não falar dos atrasos do programa ferroviário. E no verão tudo se complica. É o próprio presidente da CP, Carlos Nogueira, quem sintetiza a situação: “a empresa depara-se com fortes constrangimentos à sua actividade decorrentes do atraso na concretização de investimentos na infra-estrutura ferroviária, da obsolescência e vetustez do parque de material circulante, sem a correspondente substituição e da desadequação do quadro de efectivos dos diferentes níveis às necessidades funcionais”.

Um dos problemas reconhecidos é a falta de trabalhadores. A administração da CP está à espera de autorização para poder contratar mais 88 trabalhadores conforme os planos de recrutamento deste ano e do ano passado. Sem estes, “será inevitável a redução da oferta e o não cumprimento dos níveis de serviço” contratados com o Estado pensam os responsáveis pela empresa.

Também o estado das composições levanta problemas. As avarias em automotoras vão chegando aos noticiários como a ocorrida na linha do Douro, a 30 de Abril e a mais conhecida que aconteceu na linha do Minho, a 31 de Janeiro, quando a automotora perdeu o motor em andamento. Estas, alugadas em 2011 à transportadora espanhola Renfe, são velhas e em mau estado. Deveriam ter ficado apenas o tempo necessário para a electrificação da rede ferroviária. Com os atrasos neste processo, o que era velho começou a dar cada vez mais problemas. No Verão, quatro delas necessitarão de parar para revisão geral. E das quatro automotoras extra que a CP alugou aos espanhóis apenas duas chegaram até ao momento. As supressões de comboios que têm sido o quotidiano das linhas do Algarve e do Oeste podem vir assim a agravar-se. E, apara além dos problemas nas automotoras, faltam também composições eléctricas. Por exemplo, 30% das carruagens dos intercidades estão paradas à espera de manutenção.

Ao problemas de pessoal e do material circulante somam-se os de investimento estrutural. O governo reconhece o atraso do plano “Ferrovia 2020.” O ministro das infraestruturas, Pedro Nuno Santos, diz mesmo que este “foi demasiado ambicioso e irrealista”. Somaram-se os anúncios, escassearam as adjudicações, foram inexistentes as concretizações de obras. Até a electrificação dos troços entre Caíde e Marco de Canavezes e entre Nine e Viana do Castelo está atrasada.

Para resolver estes problemas e promover o transporte ferroviário, o Bloco apresentou recentemente o Plano Ferroviário 2020-2040. O crescimento do investimento na ferrovia fomentaria o combate às alterações climáticas, criaria emprego, aumentaria a capacidade produtiva num país em que apenas 5% do transporte de passageiros e mercadorias é feito de comboio.

Deste plano fazem parte, nomeadamente, a quadruplicação na íntegra da linha do Norte, uma terceira travessia do Tejo só para comboios, uma circular ferroviária fechada em Lisboa, um nova ligação direta de Braga a Guimarães, uma ligação direta entre Aveiro e Mangualde com passagem por Viseu e outra até à Figueira da Foz junto à costa, uma linha entre Santarém a Peniche, passando por Rio Maior, Caldas da Rainha e Óbidos e um novo corredor ferroviário que ligaria o interior de Norte a Sul do país.

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