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Governo quer tomar os portugueses "por parvos"

Referindo-se ao buraco do “BPN laranja”, ao negócio da Lusoponte e às nomeações de António Borges e Luís Amado, Francisco Louçã afirmou, durante a sessão pública de comemoração dos 13 anos do Bloco, em Setúbal, que "quem toma decisões sobre o dinheiro de todos gosta de nos tomar por parvos".
Foto de Paulete Matos.

"O doutor António Borges, ex-responsável do PSD, é convidado para um grupo do Governo para dirigir o processo das privatizações [Parpública] e logo depois aceita um lugar na administração do grupo empresarial [Jerónimo Martins] que corresponde à maior fortuna que existe em Portugal, devem pensar que somos parvos", sublinhou Louçã.

O dirigente bloquista realçou ainda outro caso, de Luís Amado, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do PS.

"Um ministro do PS, do Governo anterior, na mesma semana aceita a presidência de um banco privado [Banif] e ao mesmo tempo entra no conselho de administração da sociedade que gere o 'offshore' da Madeira, contra o qual ele no Governo se proclamava sempre, devem pensar que somos parvos", avançou Francisco Louçã.

Para o deputado, "em todas estas questões há sempre esta conexão de facilidade, de cumplicidade, de apoios, o mistério do dinheiro, a sobreposição das decisões", em que "o povo fica sempre a perder".

"Da Lusoponte às incompatibilidades, aos favorecimentos, às privatizações, a todos os negócios, o povo perde sempre", afirmou.

BPN é "um dos maiores escândalos da vida pública portuguesa"

Referindo-se à constituição de uma nova comissão de inquérito à gestão e reprivatização do BPN, Francisco Louçã assegurou que o Bloco se vai dedicar “a esta comissão com grande empenho para que toda a gente fique a saber tudo o que pudermos apurar sobre o que aconteceu nestes anos de desvario financeiro, nesta conexão laranja que foi fazendo o BPN desde o tempo em que foi conduzido pelos ex-ministros de Cavaco Silva até à nacionalização, à sua gestão posterior e à devolução generosa a outro ex-ministro do PSD, aliado, como não podia deixar de ser, com José Eduardo dos Santos".

Louçã lembrou ainda que o BPN, que considera "um dos maiores escândalos da vida pública portuguesa", já teve, só este ano, nas vésperas da sua privatização, “um reforço de capital, dinheiro dos contribuintes, de 600 milhões de euros, mais uma linha de crédito a zero por cento de juro de 300 milhões”. “Como todos bem sabemos fazer contas, 600 milhões mais 300 milhões vendem-se por 40 milhões", avançou o dirigente bloquista.

"Há um mistério no BPN, que é o facto de um banco tão pequeno ter bebido 5.000 milhões de euros de empréstimos de liquidez que não sabemos se o Estado, a Caixa Geral de Depósitos, conseguirá recuperar", rematou Francisco Louçã.

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