Está aqui

Governo iraniano corta internet após fim de semana de protestos

O anúncio da subida de 50% no preço dos combustíveis provocou a revolta em muitas cidades do Irão. No domingo, o governo fez saber que o acesso à internet estará limitado pelo menos por 24 horas.
Iraniano mostra o seu telemóvel sem ligação à internet este domingo. Foto Abedin Taherkenareh/EPA

Segundo a Agência France Presse, a decisão de bloquear o acesso à internet foi tomada pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão e comunicada na madrugada de domingo às empresas de telecomunicações.

Fontes locais confirmaram à agência noticiosa que o acesso à internet ficou totalmente bloqueado, enquanto as chamadas internacionais só são permitidas para certos indicativos internacionais. O site Netblocks confirmou que o país está sob “um apagão quase total de internet”.

Nos últimos dias, a revolta alastrou a muitas cidades iranianas por causa da decisão de aumentar em 50% o preço da gasolina. Em vez dos 10 mil riais (27 cêntimos em euros), o litro de gasolina passou para os 15 mil (41 cêntimos) de um dia para o outro. Foi também introduzida uma medida de racionamento que limita a 60 litros os abastecimentos. Quem ultrapassar este limite passa a pagar 30 mil riais (81 cêntimos) por cada litro acima dos 60. O governo justifica este aumento para criar receitas que financiem o apoio social a 60 milhões de iranianos mais pobres.

Os protestos que se seguiram contaram com manifestações em que a raiva contra o aumento dos preços dos combustíveis, a austeridade, a pobreza e a corrupção juntou dezenas de milhares de pessoas. Houve concentrações pacíficas e cortes de estradas, mas também ataques a bombas de gasolina, bancos e esquadras, que vitimaram um major da polícia em Kermanshah. A outra vítima mortal dos protestos foi um manifestante e cerca de mil pessoas acabaram detidas nos últimos dias.

O aumento do preço da gasolina junta-se a outros aumentos dos preços dos bens essenciais, após os Estados Unidos terem denunciado o acordo internacional sobre energia nuclear do Irão e voltado a impor sanções a este país. O FMI prevê uma queda do PIB de 9.5% para este ano e a moeda do país está em desvalorização acentuada. O país detém a quarta maior reserva de petróleo do mundo e a segunda maior reserva de gás, mas as receitas das exportações caíram a pique após a reintrodução das sanções norte-americanas.

O presidente iraniano Hassan Rouhani veio justificar a medida do aumento do preço dos combustíveis com a intenção do governo de conseguir receitas para “ajudar as famílias de baixo e médio rendimento, que são as mais afetadas pelas sanções económicas”.

Também o líder religioso do país, Ali Khamenei, deu o seu apoio à medida por esta ter tido a aprovação do presidente e dos líderes do parlamento, Ali Larijani, e do poder judicial, Ebrahim Raisi, que compõem o Conselho Superior de Coordenação Económica do Irão. “Eu não sou especialista e há opiniões diferentes, mas já disse que se os chefes dos três ramos tomassem uma decisão, eu apoiaria”, prosseguiu Khamenei num discurso transmitido pela televisão este domingo. “Algumas pessoas ficaram muito zangadas com esta decisão… mas causar estragos e provocar incêndios não é coisa que façam as pessoas normais, só os desordeiros”, concluiu.

Termos relacionados Internacional
(...)