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Governo francês ensaia recuo, mas a greve continua

O primeiro-ministro francês anunciou este sábado estar disposto a retirar provisoriamente a proposta da “idade-pivô”, fixada nos 64 anos e a partir da qual se paga a reforma por inteiro. Sindicatos dizem que ficou tudo na mesma.
Imagem da manifestação de 9 de janeiro. Foto Patrice Leclerc/Phototheque.org

O governo francês continua a tentar enfraquecer o movimento grevista que se prepara para entrar no 40º dia e tem paralisado sobretudo os transportes ferroviários do país, a par de algumas mobilizações nas ruas como há muito não se viam em Paris.

Este sábado, o primeiro-ministro Édouard Phillipe anunciou estar disposto a tirar provisoriamente a proposta da “idade-pivô” de 64 anos, dois anos acima da idade legal de reforma. Esta proposta prejudicaria sobretudo os franceses que começaram a trabalhar mais cedo e seria aplicada a partir de 2022, com a idade-pivô, a partir da qual se recebe a refora por inteiro, situada nos 62 anos e quatro meses, subindo até aos 64 anos nos cinco anos seguintes, e podendo continuar a subir depois disso.

A proposta serviu para agradar à CFDT, a central sindical que fez da “idade-pivô” um cavalo de batalha e que só aderiu a algumas ações do movimento grevista. O governo atende a outra proposta desta central, a da realização de uma conferência sobre o financiamento da Segurança Social no futuro sistema. Mas a retirada da “idade-pivô” não é definitiva.

Para a central sindical CGT, “nada mudou” com a mensagem do primeiro-ministro aos sindicatos. “A suspensão temporária da idade-pivô fica dependente de um acordo impossível”, explicou Catherine Perret aos microfones da Europe 1. “O primeiro-ministro coloca duas condições na sua carta: que as pensões não baixem e que os descontos não aumentem”, recorda a sindicalista, concluindo que “toda a gente sabe que só sobra um parâmetro para equilibrar o sistema: o aumento da idade da reforma”.

Por isso, a única saída é continuar a greve, apesar de ela ir deixando a sua margem de desgaste na sociedade, visível nos indicadores de apoio social que têm caído nas últimas semanas. “Os primeiros a estar cansados são os grevistas, que vão receber zero euros ao fim do mês”, argumenta Catherine Perret, apelando à participação de todos nas greves da próxima semana até à retirada completa da proposta de reforma do sistema de pensões.

“O objetivo desta reforma devia ser melhorar os direitos das pessoas, mas aqui o objetivo é orçamentar, para fazer poupanças”, lamenta a sindicalista.

À greve dos ferroviários vai juntar-se esta segunda-feira a do Banco de França, que pode causar problemas no abastecimento das caixas multibanco francesas. Na quarta-feira, vários sindicatos da Função Pública apelam a uma concentração em Paris e no dia seguinte o movimento sindical promete regressar à rua para mais manifestações.

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