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Governo chinês à beira de um ataque de nervos

Novo apelo, através da Internet, para que os chineses se manifestem, volta a fazer aumentar o nervosismo da elite governamental. Imprensa aconselhada a não circular nas áreas de prováveis concentrações.
O presidente Hu Jintao.

Os finais de semana parecem ter-se tornado os piores dias para a burocracia que dirige a China.

O motivo é que mais uma vez, neste final de semana, foi feito um apelo, através da Internet, para que os chineses, a maior população do planeta, fizessem manifestações, seguindo o exemplo da poderosa revolução árabe que sacode vários países. Os rebeldes chineses têm utilizado o fim de semana para tentar se organizar.

O nervosismo tem aumentado na elite burocrática e, a cada final de semana, aumenta o número de polícias colocados na rua para impedir a população de exercer um dos direitos democráticos mais elementares, que é o de protestar pelos seus direitos.

O temor de que a Internet, que a juventude operária chinesa utilizou amplamente na poderosa onda de greves que varreu o país no ano passado, possa ser utilizada com um objectivo não muito agradável, como o de derrubar o governo, fez com que este tenha aumentado o controlo sobre a rede. A rede social LinkedIn estava inacessível, ao que parece, por obra e dedos do governo para, provavelmente, inibir a organização deste final de semana. A palavra “jasmim” foi apagada do dicionário burocrático chinês e, claro, da web.

Também a imprensa foi aconselhada a não circular nas áreas de prováveis manifestações. Altos escalões do governo também têm saído a público para dizer que a Revolução do Jasmim, como está a ser chamada a actual tentativa de mobilização, não terá lugar em território chinês.

Foram detidos também não se sabe quantos activistas ligados à luta democrática chinesa.

Obama e outros líderes imperialistas de boca fechada

O curioso neste momento é o silêncio de Obama, Kan, Merkel, Sarkozy e outros líderes com relação aos ataques à democracia na China. Antes, os países chamados comunistas eram a verdadeira encarnação do diabo para os líderes ocidentaIs. Após a ascensão económica da China, agora, a ditadura burocrática chinesa tornou-se grande “amiga”. Não é necessário ser nenhum doutor em ciência politica para saber que o que se prepara na China é algo muito mais sangrento do que Khadafi está a fazer na Líbia.

Quando a revolução varreu a burocracia dos países ligados e também a União Soviética, toda a actual liderança chinesa já tinha mais de 30 anos, e devem-se lembrar claramente de quantos dias foram necessários para que vários governos fossem derrubados. A posição da elite chinesa, baseada na experiência histórica e nos actuais acontecimentos árabes está bastante clara: repressão

A questão fundamental não é a de a China se ter transformado na segunda potência mundial. Diferente da União Soviética, o desenvolvimento económico chinês criou uma interligação económica fatal no sistema capitalista, uma espécie de pulmão, estômago, coração ou qualquer órgão vital do corpo humano. O derrube do governo chinês neste momento, em que a revolução no mundo árabe está a detonar a actual ordem mundial, não se trata apenas da perda das orelhas e dedos do corpo capitalista, mas sim, a mais completa falência do mesmo. Essa é a única explicação para o curioso silêncio das elites imperialistas frente aos actuais ataques contra a democracia feitos pelo governo chinês.

O que está em jogo na Revolução do Jasmim, na China, pode ser, principalmente, a existência do próprio sistema capitalista. Colocada sob esse prisma, o levante chinês promete ser grandioso e, ao mesmo tempo, sangrento. A elite chinesa tem plena consciência disso e tudo indica que, exactamente por isso, está à beira de um ataque de nervos. Bem, vamos esperar os próximos finais de semana…

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