Está aqui

Governo britânico vai alugar camas em hospitais privados

A fatura será de 330 euros por dia para cada uma das oito mil camas alugadas aos hospitais privados para fazer face ao surto de covid-19, avançou o Mirror. A medida surge depois de Labour e sindicatos defenderem que estas deveriam ser requisitadas. Corbyn considera "vergonhoso" que as empresas lucrem com o coronavírus.
Anúncio do Serviço Nacional de Saúde britânico numa estação de metro de Londres,  março de 2020. Foto de ANDY RAIN/EPA/LUSA.
Anúncio do Serviço Nacional de Saúde britânico numa estação de metro de Londres, março de 2020. Foto de ANDY RAIN/EPA/LUSA.

2.64 milhões de euros por dia. Este é o custo das oito mil camas de hospitais privados que o Serviço Nacional de Saúde britânico, o NHS, deverá pagar para serem utilizadas no meio do surto de covid-19, segundo o jornal Mirror.

A escassez de camas faz-se sentir no Reino Unido, apesar de não ser dos mais afetados pelo novo coronavírus. Só que a sua taxa de camas por habitante é até menor do que a italiana (esta é de 12,5 comparado com 6,6). Inglaterra, por exemplo, tem apenas quatro mil camas para cuidados intensivos de adultos.

Para fazer face à situação, o governo britânico anunciou ainda a possibilidade de requisitar hotéis ou outros edifícios para serem utilizados para o mesmo efeito, não ficando claro nem os custos nem a modalidade que tal requisição poderia assumir. O mesmo se pode dizer para outras medidas anunciadas como as anunciadas conversações com a Uber e a Deliveroo para que possa ser entregue comida aos mais idosos e vulneráveis.

Este conjunto de medidas chega depois das polémicas declarações acerca da “imunidade de grupo” e das críticas sobre a falta de medidas de contenção do surto. Para além uma outra série de propostas, Boris Johnson anunciou que irá fazer uma ronda pelos hospitais privados para “pedir” que deixem camas disponíveis para o combate ao covid-19. Isto implicaria que não fizessem as operações que têm planeadas e montassem enfermarias de cuidados intensivos.

Também declarou que iria à Rolls Royce e JCB procurar convencê-las a produzir ventiladores de forma a participarem no “esforço nacional”. Uma ação que pretende mimetizar o que Winston Churchill fez em 1938, durante a Segunda Guerra Mundial.

Os anúncios chegam depois do apelo do sindicato GMB, secundado pelo principal partido da oposição, o Labour, para que se utilizassem camas e instalações hospitalares privadas. Os sindicatos defenderam que estes deveriam ser requisitados para participar no esforço coletivo para enfrentar a doença.

Tim Roache, secretário geral do GMB, diz que se esta é “a pior crise de saúde pública desta geração” então “precisamos começar a agir como tal”. Para ele, “não é correto que tenhamos hospitais privados de luxo vazios à espera que os ricos fiquem doentes, enquanto que há pessoas a morrer nos hospitais à espera de camas”. Portanto, “a coisa certa” seria “o NHS requisitar estas camas não utilizadas para salvar vidas”.

O mesmo tinha dito Jonathan Ashworth, o secretário para a saúde do Labour: seria “completamente errado” não utilizar estes recursos, uma vez que “o governo não devia deixar pedra sobre pedra no que diz respeito a apoiar o NHS e garantir que está equipado da melhor forma possível para proteger vidas ao longo do surto de covid-19.” O aumento da capacidade do sistema público hospitalar parece assim ser relativamente consensual. A forma como Boris Johnson a pretende implementar é que gera polémica.

O líder do principal partido da oposição, Jeremy Corbyn, considerou vergonhoso que estas empresas lucrem com o coronavírus, defendendo que as camas sejam postas ao serviço dos doentes gratuitamente.

O dirigente trabalhista tem também exigido moratórias às hipotecas e adiamentos de pagamento de rendas em caso de dificuldades, fim dos despejos, aumento do subsídio por doença e proteção do rendimento dos trabalhadores com rendimentos mais baixos, precários ou auto-empregados.

 

Termos relacionados Internacional
(...)