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Governo britânico pede à Rainha para suspender o parlamento

O executivo britânico de Boris Johnson pediu à Rainha Isabel II que suspendesse o Parlamento até meados de outubro, o que daria aos membros do parlamento poucas hipóteses para travarem um Brexit sem acordo.
Fotografia: commons/wikimedia.org
Fotografia: commons/wikimedia.org

Outubro é a altura apontada para que o governo apresente o seu programa para a próxima legislatura.

Segundo a BBC, esta medida irá impedir que os deputados britânicos tenham tempo suficiente para tentar impedir que um Brexit ocorra sem acordo, já que retomam os trabalhos em setembro.

“É hora de o novo Governo e o novo primeiro-ministro detalharem um plano para este país depois de deixarmos a União Europeia”, disse uma fonte do governo, de acordo com a BBC.

Este pedido ocorre dias depois de terem sido revelados e-mails enviados por Boris Johnson a pedir aconselhamento jurídico sobre uma eventual prorrogação do parlamento por cinco semanas a partir do início de setembro.

Numa carta enviada aos membros do Parlamento, Johnson confirmou que reuniu esta quarta-feira com a Rainha para pedir essa prorrogação: “Esta manhã falei com a Rainha para pedir o fim da atual sessão parlamentar na segunda semana de setembro, antes de começar uma nova sessão parlamentar com um discurso da Rainha a 14 de outubro”, pode ler-se no documento.

Caso Isabel II aceda ao pedido, o parlamento só voltará aos trabalhos no dia 14 de utubro, depois de um discurso oficial da Rainha. Assim, a administração britânica ganharia tempo, dando poucas hipóteses aos membros do parlamento para avançar com as leis que podiam impedir Johnson de tirar o Reino Unido da União Europeia sem um acordo. A data limite para o Brexit é 31 de outubro, e acontecerá nesse mesmo dia caso não se atinja um acordo prévio.

De acordo com a BBC, o porta-voz da Câmara dos Comuns do Reino Unido, John Bercow, já reagiu às notícias, considerando-as “uma afronta constitucional” e “uma ofensa ao processo democrático e aos direitos dos parlamentares enquanto representantes eleitos pelo povo”.

Por sua vez, Dominic Grieve, conselheiro da rainha e membro do Conselho Privado, considerou este plano “um ato ultrajante”, tendo apelado a uma moção de censura que fizesse cair o governo de Johnson.

Nicola Sturgeon, primeira-ministra da Escócia, considera que, caso o plano de Johnson avance, o dia da sua aprovação será “um dia negro para a democracia do Reino Unido”.

Até agora, a família real britânica ainda não emitiu declarações sobre o assunto.

Johnson garante que o Reino Unido vai deixar a União Europeia, haja acordo ou não, no próximo dia 31 de outubro. Por sua vez, a Comissão Europeia afirma que está pronta para um Brexit sem compromisso e que, nesse cenário, o Reino Unido será o mais prejudicado.

Boris Johnson tomou posse no mês passado, depois de Theresa May ter falhado três vezes a tentativa de o parlamento aprovar o acordo de saída por si negociado.

Atualização:

A rainha Isabel II autorizou suspensão do Parlamento britânico até 14 de Outubro.

Atualizado às 16h11.

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