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Governo alemão quis desfazer-se de máscaras inúteis distribuindo-as a carenciados

O Ministério da Saúde tinha comprado mais de meio milhão de máscaras que não seguiam padrões sanitários. Depois, considerou distribui-las a pessoas em situação de sem-abrigo, pessoas portadoras de deficiência e dependentes de programas de assistência social.
Jens Spahn, ministro da Saúde alemão. Foto de Stephan Baumann/Wikimedia Commons.
Jens Spahn, ministro da Saúde alemão. Foto de Stephan Baumann/Wikimedia Commons.

A primeira parte do escândalo à volta do ministro da Saúde alemão começou quando, no início da pandemia, fez o executivo comprar 570 mil máscaras de proteção vindas da China no valor de cerca de mil milhões de euros mas que não seguiam as regras vigentes na União Europeia. A história foi revelada em março pela revista Der Spiegel, que contava que o negócio foi mediado pela empresa Hubert Burda Media na qual o marido de Jens Spahn trabalha como lobista.

Este caso somou-se a outro no qual se viu envolvidoaquele que chegou a ser dado como sucessor de Angela Merkel. No segundo semestre de 2020, num período de fortes constrangimentos económicos e sociais, Spahn e o marido compraram uma mansão em Berlim gastando mais de quatro mil milhões de euros. A compra levantou uma onda de críticas. Assim como o financiamento, proveniente de um banco, o Sparkasse Westmünsterland, do qual este tinha sido membro do conselho diretivo até 2015.

A segunda parte do escândalo das máscaras foi conhecida esta sexta-feira quando o mesmo órgão de comunicação social revelou que o Ministério da Saúde ponderou distribui-las por cidadãos em situação de sem-abrigo, pessoas portadoras de deficiência e dependentes do programa de assistência social Hartz-IV. Segundo a Der Spiegel, foi o Ministério do Trabalho a bloquear este uso, tendo ficado armazenadas nos depósitos da Reserva Nacional de Saúde que serve de recurso em casos de catástrofe.

A oposição reagiu fortemente. Janine Wissler, presidente do Die Linke, diz que um ministro da Saúde disposto a meter em risco conscientemente grupos vulneráveis "não é viável". O vice-presidente do grupo parlamentar do partido liberal FDP, Michael Theurer, quer um esclarecimento "exaustivo e implacável". E Norbert Walter-Borjans, presidente do SPD, que pertence à coligação governamental, ataca o candidato a chanceler pela CDU, Armin Laschet, questionando se o “procedimento de Jens Spahn ainda é sustentável para um partido com uma etiqueta cristã. O secretário-geral do mesmo partido, Lars Klingbeil, acrescenta que devem “haver consequências” porque o sucedido "é desumano".

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