Os trabalhadores da Google que se organizaram no movimento No Tech For Apartheid, que se opõe aos contratos da empresa com Israel e que envolvem tecnologia e meios que são utilizados contra os palestinianos, protestaram em várias concentrações, nomeadamente em frente aos escritórios da empresa em Nova Iorque e em Sunnyvale, na Califórnia.
Depois disso, 28 foram despedidos. Em comunicado, este grupo diz que se trata de “um ato flagrante de retaliação” e esclarece que alguns dos despedidos nem sequer tinham participado nas concentrações. Ao mesmo tempo, defendem que “os trabalhadores da Google têm o direito de protestar pacificamente sobre os termos e condições do nosso trabalho”.
Na terça-feira, nove trabalhadores tinham sido presos sob a acusação de entrada indevida nas instalação. Em Sunnyvale, alguns dos trabalhadores tinham recusado sair do gabinete de Thomas Kurian, chefe executivo da Google Cloud. Isto enquanto cantavam “Google não te podes esconder, acusamos-te de genocídio”.
BREAKING—DOZENS OF @GOOGLE WORKERS LEAD HISTORIC COAST TO COAST-INS AT @GOOGLECLOUD CEO THOMAS KURIAN’S OFFICE IN SUNNYVALE & @GOOGLE’s NYC 10TH FLOOR COMMONS. They refuse to leave until @google stops powering the genocide in Gaza
LIVESTREAM: https://t.co/uUiPbr3oDz pic.twitter.com/vCkInh0769
— No Tech For Apartheid (@NoTechApartheid) April 16, 2024
Nas suas redes sociais, afirmam agora que a Google teme que os trabalhadores peçam prestação de contas e transparência dos patrões. Os despedimentos, salientam, são “ilegais” e não vão parar o movimento, antes pelo contrário, prometem.
Google is terrified of us. @Google is terrified of workers calling for accountability and transparency from our bosses. These mass, illegal firings will not stop us. They only fuel the organic growth of this movement. #NimbusNine #GoogleworkersFired https://t.co/OOPPlXkHmQ
— No Tech For Apartheid (@NoTechApartheid) April 18, 2024
O New York Times indica que a empresa ameaça continua a investigar os protestos e diz que outros trabalhadores foram “fisicamente impedidos” de entrar nas instalações, o que seria “uma violação clara das nossas políticas e um comportamento completamente inaceitável”.
Um dos projetos na mira dos protestos dos trabalhadores é o Ninbum, um contrato de 1,2 mil milhões anunciado em 2021 que envolve a Google e a Amazon para fornecer serviços “na nuvem”, como inteligência artificial. Já este ano, a empresa assinou outro acordo de parceria com Israel que, segundo os seus próprios funcionários, poderá aumentar a capacidade de vídeovigilância e de seleção de alvos militares através do Google Photos