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Goldman Sachs e Apple acusadas de criar cartão de crédito sexista

Segundo várias denúncias, o cartão de crédito Apple Card atribui um patamar de crédito mais elevado a homens do que a mulheres. O Departamento de Serviços Financeiros de Nova Iorque, o regulador responsável, está já a investigar o caso.
Anúncio do Apple Card no site da empresa.
Anúncio do Apple Card no site da empresa. Foto de Marco Verch/Flickr.

O Apple Card é um cartão de crédito lançado em agosto pelo gigante tecnológico com o mesmo nome que o vende como “um novo tipo de cartão de crédito, criado pela Apple, não por um banco. Contudo, é feito em parceria com outro gigante: o banco de investimento Goldman Sachs, sendo mesmo o primeiro cartão de crédito que esta empresa cria.

A polémica estalou através da denúncia online de um empresário do setor tecnológico, David Heinemeier Hansson. O criador da ferramenta de programação Ruby on Rails constatou que o cartão Apple Card que pedira lhe disponibilizava um valor vinte vezes maior do que o da sua mulher. A diferença, considerou, não teria qualquer razão, uma vez que ambos partilham todos os ativos financeiros e imobiliários.

A seguir, foi o próprio co-fundador da Apple, Steve Wozniak, a confirmar a discrepância. O mesmo sucedera entre ele e a sua mulher.

Depois de várias acusações, o Departamento de Serviços Financeiros de Nova Iorque abriu uma investigação sobre o caso de alegada discriminação.

A culpa é do algoritmo?

Hansson, no tweet em que denunciou em primeiro lugar o caso, atribuiu a culpa não a qualquer decisão humana mas ao algoritmo com que a aplicação trabalha: “o Apple Card é um programa sexista. Não interessa quais são as intenções dos representantes individuais da Apple, interessa o que o Algoritmo no qual depositam uma fé absoluta faz. E o que faz é discriminar”.

E enquanto o porta-vez do banco de investimentos, Andrew Williams, declarou ao canal Bloomberg que “as nossas decisões de crédito são baseadas na fiabilidade de crédito do cliente e não em fatores como o género, a raça, a orientação sexual ou outra qualquer base proibida por lei”, por intermédio da porta-voz Linda Lacewell, o regulador comunicou que “qualquer algoritmo que intencionalmente ou não resulte em tratamento discriminatório das mulheres ou qualquer outra classe protegida viola a lei de Nova Iorque”.

Apesar das baterias da polémica estarem mais apontadas para a Apple, é a Goldman Sachs a responsável por todas as decisões de atribuição de crédito. Ou, melhor, é o algoritmo criado que toma estas decisões.

Segundo a Bloomberg, este não é o primeiro caso deste tipo nos EUA. Também a empresa UnitedHealth Group Inc está igualmente a ser investigada sob acusação de que um algoritmo no seu programa favorece pacientes brancos relativamente a pacientes negros.

Ao Congresso norte-americano a discussão sobre os problemas causados pelo uso de algoritmos em decisões de crédito tinha já chegado em junho. Numa audição do Comité de Serviço Financeiros foram apresentados vários exemplos de decisões enviesadas que prejudicavam de forma não intencional grupos específicos.

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