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Glifosato: Tribunal norte-americano condena Bayer a pagar 71 milhões de euros

O tribunal já tinha considerado o herbicida Roundup como a causa de um linfoma não-Hodgkins diagnosticado ao norte-americano Edwin Hardeman e, agora, o júri condenou a Bayer, que comprou a Monsanto em 2018, a pagar uma indemnização de 71 milhões de euros.
Protesto Stop BayerMonsanto, Berlim, 19 de abril de 2017 – Foto de Eldorado dos Carajás/flickr
Protesto Stop BayerMonsanto, Berlim, 19 de abril de 2017 – Foto de Eldorado dos Carajás/flickr

tínhamos noticiado no esquerda.net que o tribunal decidira culpar o Roundup – o nome comercial do herbicida glifosato - de ter provocado o cancro a Edwin Hardeman, que utilizou o produto durante 25 anos.

Nesta quarta-feira, 27 de março, o tribunal decidiu condenar a empresa a pagar uma indemnização de 80 milhões de dólares (71 milhões de euros), segundo noticia a TSF.

A indemnização engloba duas partes, uma de cinco milhões de dólares (4,4 milhões de euros) de compensações e a outra, de 75 milhões de dólares (66 milhões de euros), que pune a falha da empresa por comportamento negligente e por não alertar para o risco cancerígeno do produto.

A Bayer anunciou que vai recorrer da sentença e declarou em comunicado: "este veredito não altera o peso de mais de quatro décadas de ciência exaustiva e das conclusões dos reguladores de todo o mundo, que atestam a segurança dos nossos herbicidas com base de glifosato e garantem que os mesmos não são carcinogénicos".

O glifosato é um composto que foi lançado pela empresa norte-americana Monsanto em 19741 e há décadas que têm sido divulgados os riscos do produto para a saúde humana2, sempre subestimados e negados pela empresa.

Em 2018, a Bayer comprou a Monsanto (ver notícias no esquerda.net aqui e aqui) e passou a assumir todo o contencioso que existe contra a empresa, nomeadamente os casos relacionados com o Roundup, em que a Bayer enfrenta oito mil processos (Bayer/Monsanto enfrenta 8 mil processos nos EUA por causa do glifosato).

Desde o passado dia 19 de março, quando o tribunal norte-americano responsabilizou o glifosato de ter provocado cancro a Edwin Hardeman, as ações da Bayer entraram em queda, tendo já caído mais de 12%.

Após a decisão de condenação da Bayer, os advogados do agricultor declararam que o julgamento demonstrou que “desde o aparecimento do Roundup há 40 anos, a Monsanto recusa-se a agir com responsabilidade” e, pelo contrário, centrou a sua ação em "manipular a opinião pública e sabotar todos aqueles que mostram preocupação genuína e legítima acerca do Roundup".


Notas:

2 Ver no esquerda.net “Glifosato - o herbicida cancerígeno”.

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