Está aqui

Glifosato: terceira condenação consecutiva nos EUA

Um júri californiano fixou em dois biliões de dólares a indemnização a pagar pela Bayer pelos efeitos do seu herbicida Roundup. É a terceira condenação mais elevada e a terceira consecutiva a acontecer nos tribunais norte-americanos.
Foto de campact/Flickr

Aos dois biliões de dólares de indemnização “punitiva” somam-se 55 milhões de indemnização “compensatória”. Apesar do valor destas compensações decididas por um júri no Tribunal Superior do Condado de Alameda, em Oakland, Califórnia, esta segunda-feira ainda pode ser reduzido pelo Supremo Tribunal norte-americano, trata-se sem dúvida de um montante significativo que a Bayer/Monsanto vai ter de desembolsar. A decisão da Bayer de comprar a Monsanto por 63 biliões de doláres está assim a revelar-se tóxica para a empresa alemã. Desde o primeiro veredito que a Bayer perdeu 30 biliões de euros em valor de mercado.

Tal como é significativo ser a terceira decisão consecutiva no mesmo sentido. Em agosto do ano passado, o júri de um tribunal estadual tinha decidido fixar uma indemnização de 289 milhões de dólares. E, em março deste ano, o júri de um tribunal federal em São Francisco condenado a empresa a pagar 80 milhões.

Desta feita considerou-se provada da responsabilidade do herbicida pelo linfoma não-Hodgkin que foi contraído por Alva e Alberta Pilliod. O júri deu por provado que o Roundup foi desenvolvido de forma defeituosa, que a empresa não avisou o casal de septuagenários do risco de cancro associado às substâncias químicas da sua composição e que esta agiu de forma negligente.

A empresa considerou a decisão “excessiva e injustificável” e anunciou que vai recorrer.

Por sua vez, Alberta Pilliod pediu à Bayer que coloque um aviso no rótulo do Roundup. Depois de ter utilizada regularmente o herbicida com glifosato na sua propriedade entre 1975 e 2011, alega que a Monsanto conhece há muito o risco de cancro do seu produto mas escolheu omitir os seus efeitos e tentou influenciar cientistas e reguladores para o promover.

Correm, neste momento, mais de 13400 processos apenas nos Estados Unidos que culpam este herbicida pelo risco de cancro. O próximo caso será julgado em agosto no Missouri e será uma estreia fora da Califórnia. Curiosamente, será no condado da antiga sede da Monsanto.

Uma das bases destes projetos é uma conclusão de 2015 da Organização Mundial de Saúde que classificava o glifosato como “provavelmente carcinogénico para humanos”.

Termos relacionados Ambiente
(...)