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Glifosato: autores de relatório da UE copiaram-no da Monsanto

O relatório europeu sobre os riscos do glifosato foi quase totalmente copiado das informações divulgadas pela Monsanto. Foi com base nesse relatório que a União Europeia (UE) renovou a autorização de utilização, por cinco anos, do herbicida cancerígeno.
Foto de Mike Mozart/Flickr
Foto de Mike Mozart/Flickr

A UE encomendou o relatório a um grupo de peritos alemães (do Bundesinstitut für Risikobewertung – BfR), que elaborou um documento com cerca de 4.000 páginas sobre os riscos do uso do glifosato. Porém, o relatório é uma cópia do dossier da própria Monsanto, que comercializa o produto.

Segundo o “Diário de Notícias”, que cita o Le Monde, a avaliação ao relatório dos peritos alemães foi pedida por deputados europeus dos Verdes, dos socialistas e do GUE e conclui que 50% do documento dos peritos alemães do BfR foi plagiado e 70% é cópia.

A avaliação ao relatório dos peritos alemães contratados pela UE foi feita pelo especialista em plágio Stefan Weber e pelo bioquímico Helmut Burstcher, da ONG Global 2000, que usaram o software WCopyfind para comparar os relatórios das empresas de pesticidas e o do BfR e descobriram que "o plágio incidiu exclusivamente nos capítulos que tratam da avaliação de estudos publicados sobre riscos para a saúde relacionados com o glifosato".

Foi o relatório dos peritos alemães do BfR que serviu para a autoridade europeia de segurança alimentar (EFSA) e os peritos dos estados-membros afirmarem que o glifosato não pode ser associado ao risco de cancro, apesar de a OMS (Organização Mundial de Saúde) ter alertado, em 2015, que o glifosato é “provavelmente cancerígeno”.

Com base no relatório do instituto alemão BfR, copiado dos documentos da indústria dos pesticidas, a Comissão Europeia aprovou, em novembro de 2017, a utilização do glifosato por mais cinco anos.

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