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Glaciares dos Himalaias poderão derreter até final do século

Os Himalaias, considerados o "terceiro pólo" do planeta pela grande quantidade de gelo que albergam, estão a derreter devido ao aquecimento global e perderão entre um e dois terços do seu gelo para os rios e mares até final do século, revela um relatório publicado em janeiro.
Foto de Luca Galuzzi/commons.wikimedia.org

O relatório Hindu Kush Himalaya Assessment fornece um dos levantamentos mais completos sobre o aquecimento global em zonas montanhosas. Organizado pelo Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD), um instituto internacional sediado no Nepal, reúne o trabalho de mais de 200 cientistas nos últimos cinco anos e fornece os dados mais recentes sobre a região a nível ambiental e social.
O aquecimento global tem efeitos diferentes conforme a zona do planeta. Os efeitos são, por exemplo, extremos nas zonas

polares, onde se soube por uma série de estudos nos últimos dois meses que as massas de gelo estão a derreter mais rápido que o esperado. Nas regiões montanhosas algo análogo está a suceder com os dados a apontar para uma taxa de aquecimento superior à média.

Segundo o  ICIMOD,  se o aumento de temperatura do planeta for de 1,5 graus Celsius até 2040 isto significará um aquecimento de 2,1º graus nos Himalaias, uma vez que o efeito dos gases de estufa é amplificado nas zonas de maior altitude. Só que este é apenas o cenário mais favorável em que o corte das emissões de carbono é mais rápido. E neste caso perder-se-ia um terço dos glaciares. No pior cenário seriam dois terços.

Os efeitos do degelo já começam a ser visíveis a nível local e regional. O recuo da massa de gelo nas montanhas está a gerar deslizamentos de terras e inundações e a gerar padrões de chuva irregulares que destroem a produção agrícola. No Nepal, há aldeias que estão a ser abandonados porque terras até há pouco férteis se tornaram estéreis.

E consequências muito mais extensas e destrutivas assombram o futuro. Por todo o sul da Ásia, as ondas de calor estão a aumentar as doenças e a empobrecer populações inteiras. Um relatório do Banco Mundial mostra que o nível de vida de 800 milhões de pessoas está em causa. As secas e falhas no acesso à água também se intensificam. Um outro relatório promovido pelo governo indiano em 2018 revelava que o país vive a pior crise de acesso à água: 600 milhões de pessoas, cerca de metade da população do país, enfrentam escassez extrema de água e cerca de 200 mil pessoas morrem a cada ano devido a acesso inadequado a água potável.

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