Está aqui

Gerente de restaurante do Porto despede três grevistas

O gerente do restaurante Miradouro Ignez, no Porto, despediu três trabalhadores imigrantes por terem feito greve. O Sindicato da Hotelaria do Norte denunciou ainda que o patrão substituiu os grevistas e intimidou o delegado sindical na empresa.
Foto de Sindicato da Hotelaria do Norte/facebook

Dia 1 e 2 de abril, trabalhadores do restaurante Miradouro Ignez fizeram greve como tinha ficado decidido em plenário. O protesto era contra o pagamento pontual dos salários, o não pagamento de feriados e trabalho suplementar, para além da empresa não fazer descontos para a segurança social a alguns trabalhadores.

Durante a greve, a empresa tratou de substituir os grevistas, o que é ilegal. A partir daí a situação continuou a complicar-se.
No dia seguinte, o patrão decidiu impedir o delegado sindical de entrar na empresa e chamou a PSP para o intimidar. Uma vez que o delegado sindical é um trabalhador imigrante, o patrão alegou que se encontrava em situação ilegal. O trabalhador ficou assim detido duas horas, apesar de ter provado que está a trabalhar há mais de um ano, que reclamou junto da ACT e da Segurança Social pelo facto do patrão não regularizar a sua situação.

Segundo o Sindicato da Hotelaria do Norte, o dono do restaurante que se situa num espaço da Câmara Municipal do Porto, despediu três dos trabalhadores por terem aderido ao protesto e está a discriminá-los uma vez que já pagou salários aos outros. A estes, para efectuar o pagamento, exige que passem recibos verdes para os anos de 2018 e 2019, num valor aproximado de 9 mil euros. O sindicato considera que esta exigência uma “chantagem”, uma vez que a empresa sabe “que os trabalhadores não têm de passar qualquer recibo verde pois são trabalhadores por conta de outrem” tendo a empresa reconhecido isso “perante a Segurança Social, ACT e Ministério do Trabalho”.

O sindicato considera os despedimentos uma retaliação pela greve e diz que são “ilícitos” já que “os trabalhadores trabalham há mais de um ano neste estabelecimento e têm o processo em andamento de regularização junto das entidades competentes, que só não está concluído porque a empresa apenas há pouco mais de um mês forneceu o respetivo contrato de trabalho escrito, na sequência de queixas apresentadas na ACT e na Segurança Social”.

O sindicato da Hotelaria do Norte vai requerer uma reunião à Autoridade para as Condições no Trabalho e realizar uma vigília de solidariedade com os trabalhadores despedidos à porta deste restaurante.

Termos relacionados Sociedade
(...)