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Gentrificação levada à cena no São Luiz

O Teatro Meridional vai apresentar, a partir de quarta-feira, o espetáculo “Histórias de Lisboa”. No São Luiz, vai poder-se assistir a “um grito” contra a gentrificação que rompe com uma “cultura de excesso de compromisso”, segundo a dramaturga e encenadora Natália Luíza.
Foto de Hipersyl/wikicommons

O “processo acelerado de gentrificação” da cidade de Lisboa vai ser contado sob o signo do número 125 e em duas camadas. É em 125 minutos e através de 125 personagens, que celebram também os 125 anos do Teatro São Luiz, que as “Histórias de Lisboa” serão dadas a conhecer a partir da próxima quarta-feira e até ao dia 16 de junho.

Esta peça do Teatro Meridional foi construída em duas camadas que refletem, segundo a dramaturga e encenadora Natália Luíza, as “duas Lisboas” que convivem na mesma cidade: “há uma Lisboa que hoje é no rés-do-chão das avenidas, que tem a ver com 'design', que tem a ver com lógicas estéticas e alimentares, e uma outra Lisboa, envelhecida, que cria outro 'layer' no espetáculo, que é para transformar, que não foi suficientemente cuidada, e que é para alugar, e sobretudo para pôr os habitantes de Lisboa fora dela", declarou à Lusa. Um contraste que se materializa nas dinâmicas diversas do piso térreo de um restaurante e do andar de cima que tem uma população idosa que recebe ordens de despejo e cujas janelas acabam decoradas com painéis publicitários das agências imobiliárias.

Com isto, Natália Luiza pretende contrapor “uma identidade da cidade que é preciso preservar” aos “valores da economia” que não podem “ser o motor de tudo isto”. Para a dramaturga, “é vital que as pessoas se sintam bem a habitar a cidade que é delas, e isso começa a não acontecer”. Por isso, o Teatro Meridional concebeu um espetáculo que é “um grito” que desafia uma “cultura de excesso de compromisso”.

Segundo o texto de apresentação da peça este grito é, mais do que falado, “essencialmente físico” e sem medo dos estereótipos. A criadora diz que a este propósito que “as pessoas têm uma grande preocupação em serem originais e eu acho que, neste momento, a originalidade é ser contador de histórias e não querer contar mais do que as histórias são”. Daí que se tenha inspirado na Banda Desenhada “e na sua lógica de síntese” para compor esta sua Lisboa dos contrastes que resiste à homogeneização gentrificadora.

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