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General Motors: 23º dia de greve nos Estados Unidos

Na quarta semana de greve na General Motors dos EUA, as negociações parecem não ter fim à vista. Os trabalhadores exigem a defesa dos postos de trabalho ameaçados pelo fecho de fábricas, vinculação de temporários e seguros de saúde acessíveis.
Trabalhadores da General Motors em greve. Outubro de 2019.
Trabalhadores da General Motors em greve. Outubro de 2019. Foto de UAW Region 9/Flickr.

São já 23 dias de greve nas várias fábricas e armazéns da General Motors dos Estados Unidos da América. Os 49 mil trabalhadores paralisaram a 16 de setembro passado. Alguns defendem os seus postos de trabalho, diretamente colocados em causa pela reestruturação da empresa. Outros lutam pela vinculação dos trabalhadores temporários, salários justos e seguros de saúde acessíveis.

As negociações entre a administração da empresa e o UAW, United Auto Workers, não avançam e, neste fim de semana, o Vice-Presidente do sindicato representativo dos trabalhadores, Terry Dittes, enviou uma carta aos sindicalizados em que deixava antever que a resolução do conflito não seria rápida. Segundo esta, depois de no sábado o sindicato ter apresentado uma proposta, a GM respondeu com uma contra-proposta que mantinha o essencial na mesma, tendo por isso sido rejeitada. O sindicato queixa-se das suas propostas terem sido postas de lado sem sequer se ter tido “a cortesia profissional de explicar porque não se poderia aceitar ou porque se rejeitava o nosso pacote de propostas”.

Na última declaração do sindicato que é conhecida, Dittes aumenta o pessimismo tendo escrito que as conversações “tiveram uma viragem para o pior”. Do lado da empresa, surgiram notícias que, já depois desta tomada de posição, mais uma proposta tinha sido apresentada.

Como resultado da greve a produção nas fábricas norte-americanas da GM está parada. E pelo menos três linhas de montagem fora do país estão encerradas, duas no México e uma no Canadá. No México, os trabalhadores das fábricas fechadas temporariamente ficam em lay-off e perdem o seu salário. Foi o que aconteceu na passada segunda-feira com a última das linhas de montagem a parar, em Ramos Arizpe. São agora seis mil os trabalhadores que se encontram nesta situação em todo o país vizinho. A deslocalização da produção para o México, onde a marca se tornou a maior produtora de veículos do país, é aliás um dos temas mais quentes em cima da mesa das negociações já que pelo menos quatro fábricas em território dos EUA estão sob ameaça de encerramento.

Outra das preocupações dos trabalhadores a longo prazo tem a ver com uma possível diminuição de empregos devido à produção de automóveis elétricos, já que, alegam, é precisa menos mão de obra para montar este tipo de veículos.

Para além de querer assegurar questões estruturais no modelo de produção da empresa, o sindicato está a bater-se por reforçar o número de trabalhadores vinculados, por mais programas de formação que permitam aos precários ascender na empresa e por diminuir o tempo necessário para passar ao escalão seguinte. Atualmente começa-se a ganhar 17 dólares por hora e só depois de oito anos se passa a ganhar 28. Os trabalhadores temporários ganham entre 15 a 19 dólares sem quaisquer outros benefícios ou garantia de emprego.

As negociações com a GM são também importantes para o resto dos trabalhadores do setor neste país já que o contrato coletivo que daqui resultar será o padrão que vai marcar todos os seguintes.

Alguns especialistas adiantam que, devido à greve, a empresa perde 80 milhões de dólares por dia. A isto somam-se as perdas em bolsa. Desde o início deste processo reinvindicativo, a GM já perdeu 11% do valor. Já os trabalhadores vêem o seu ordenado reduzido para um quinto enquanto estão a fazer greve.

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