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General Electric congela pensões nos EUA e quer despedir em França

Centenas de milhares de trabalhadores e ex-trabalhadores temem pelo futuro das suas reformas por causa do buraco bilionário nas contas do fundo de pensões da multinacional norte-americana.
Foto de Tony Webster/Flickr

A General Electric anunciou nesta segunda-feira que vai congelar os benefícios a que têm direito 20 mil trabalhadores e pagar indemnizações a outros 100 mil ex-trabalhadores que ainda não entraram na reforma, para estes abdicarem da pensão constituída através do fundo da empresa. Para aqueles 20 mil trabalhadores ainda ao serviço da General Electric, isto significa que a partir de 2021 deixarão de acumular novos benefícios previstos no plano de pensões principal da empresa.  

O objetivo da medida é cortar entre 5 a 8 mil milhões de dólares o défice do fundo de pensões, que no final do ano passado ascendia a 22.4 mil milhões e era de longe o maior das empresas cotadas no índice bolsista S&P 500.

Os cortes entram em vigor no início do próximo ano e a General Electric já anunciou que vai financiar o pagamento de pensões até 2022 através de receitas com a venda de ativos. A empresa deixou de aceitar novas entradas no fundo de pensões desde 2012.

No final do ano passado, a multinacional empregava cerca de 283 mil trabalhadores, cerca de um terço dos quais nos EUA. Segundo a CNN, o número de atuais e futuros beneficiários — ou futuros lesados — do fundo de pensões da General Electric ascende a 600 mil pessoas.

Trabalhadores processam Estado francês pelos despedimentos da GE

Dois sindicatos franceses, a CFE-CGC e o SUD,  entregaram esta segunda-feira uma queixa judicial contra o Estado francês por incumprimento dos acordos que permitiram a aquisição da Alstom pela General Electric em 2014.

Nesse contrato, a multinacional norte-americana comprometeu-se a criar mil postos de trabalho nos quatro anos seguintes, mas nunca respeitou essa cláusula, preferindo pagar a multa de 50 milhões de euros pelo seu incumprimento. Também o compromisso de manter em França a direção do negócio das turbinas foi rasgado logo no ano seguinte à assinatura do acordo.

A queixa na justiça foi desencadeada após o impasse nas negociações que se seguiram ao anúncio do despedimento de 792 trabalhadores na fábrica de turbinas a gás em Belfort, ou seja, quase metade dos funcionários da fábrica. Os sindicatos apontam responsabilidades ao atual presidente Emmanuel Macron, que era ministro da Economia na altura do acordo que permitiu à GE tomar conta da Alstom. O atual presidente da GE França é um dos antigos conselheiros de Macron no ministério, Hugh Bailey. Esta nomeação, feita em abril passado, levantou suspeitas que estão a ser investigadas pela justiça francesa.

O atual governo francês pressionou a gestão da GE a recuar nos despedimentos, mas a empresa apenas aceitou reduzir em 150 o número de despedimentos, contra a assinatura por parte dos sindicatos de um “acordo de competitividade” que levaria todos os trabalhadores a perderem direitos e salário.

“Sempre recusámos este plano que condena Belfort no momento em que o mercado das turbinas de gás está a recuperar e exigimos de novo ao Estado que assuma as suas responsabilidades, obrigando a GE a respeitar os acordos assinados há cinco anos”, afirmou ao diário Libération o porta-voz da Intersindical, Phillipe Petitcolin. O sindicalista admite um plano de rescisões voluntárias, reformas antecipadas ou a não substituição de saídas até um máximo de 300 postos de trabalho. “Mas aquilo que faz falta é um verdadeiro projeto industrial” para a empresa, lamentou, propondo a diversificação da produção no setor das turbinas de aviação.

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