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General Electric acusada de escandalosa fraude financeira

Um analista financeiro acusou a General Electric, gigante industrial norte-americano, de mascarar prejuízos de 38 mil milhões de dólares. A confirmar-se, seria dos maiores escândalos financeiros na história do país. Caso está a gerar volatilidade nos mercados.
Edifício da GE em Schenectady, Nova Iorque, maio de 2009. Foto:  Chuck Miller/Flickr.
Edifício da GE em Schenectady, Nova Iorque, maio de 2009. Foto: Chuck Miller/Flickr.

A General Electric, gigante industrial norte-americano, foi acusada por um analista financeiro de estar a encobrir perdas no valor de 38 mil milhões de dólares, cerca de 40% do seu valor de mercado. A confirmar-se, seria uma das maiores fraudes financeiras na história do país, superior aos escândalos da Enron e da Worldcom.

Harry Markopolos, um especialista em contabilidade empresarial, lançou a acusação num relatório que divulgou online na semana passada. Markopolos notabilizou-se por investigar e denunciar práticas fraudulentas nos fundos de Bernie Madoff, que anos mais tarde se confirmaram e levaram à queda deste.

A equipa de Markopolos afirma no seu relatório que passou sete meses a analisar a contabilidade da GE. Ao comparar as contas da GE Capital, o braço financeiro do grupo, com as contas consolidadas da GE no seu todo, detetou discrepâncias que indicam ocultação da real situação financeira da empresa. A GE Capital tem várias seguradoras de saúde com produtos de cuidados de longa duração, que envolvem serviços de apoio à terceira idade como apoio domiciliário, lares de terceira idade, cuidados paliativos etc. — um enorme sector económico nos EUA, onde este tipo de serviços são essencialmente deixados à iniciativa privada. Estas seguradoras estão a acumular enormes prejuízos e possuem uma base de clientes envelhecida, que prenuncia que o problema se agravará.

Segundo os cálculos de Markopolos, os prejuízos do ramo segurador da GE Capital exigem um reforço das suas reservas financeiras em 28 mil milhões de dólares, que não estão registadas nas contas oficiais do grupo GE em lugar algum. Markopolos acusa ainda o grupo de esconder prejuízos de 9,1 mil milhões de dólares na compra e posterior venda parcial da Baker Hughes, uma empresa do ramo petrolífero.

Os prejuízos estarão a ser ocultados por uma série de técnicas, como mudanças frequentes no formato dos relatórios financeiros da GE, exigidos pelas entidades reguladoras, de modo a ofuscar dados e impedir analistas de fazer projeções a longo prazo. O relatório Markopolos aponta também falta de transparência nos dados que permitem calcular os custos reais em despesas administrativas e nos produtos vendidos pela empresa. Markopolos acredita que o buraco de 38 mil milhões de dólares é apenas a "ponta do icebergue".

As ações da GE caíram mais de 10% na quinta-feira da semana passada com a divulgação do relatório. A empresa negou as acusações de Markopolos, insinuando que este tem ligações a hedge funds com interesse em forçar a venda e desvalorização das ações da GE em benefício próprio. Logo no dia seguinte, o CEO da GE fez uma grande compra de ações da empresa para restaurar a confiança dos investidores. As ações recuperaram, estando agora cerca de 4% abaixo do seu valor antes do relatório. O caso junta-se a outras investigações do Departamento de Justiça americano (DoJ) e do regulador da bolsa de valores (SEC), que a GE enfrenta desde o início de 2018.

A General Electric é um dos maiores e mais antigos grupos industriais dos EUA. Em atividade desde 1892, produz equipamentos pesados em setores como a aviação, ferrovia, produção de energia, saúde, entre outros, além do braço de serviços financeiros na origem deste caso. Fatura mais de 120 mil milhões de dólares por ano, emprega mais de 280 mil pessoas. Um gigante cuja queda desordenada lançaria ondas de choque por todo o mundo, incluindo em Portugal, onde tem várias atividades.

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