Depois de outros estudos recentes terem descoberto que há mais fugas de gás natural do que aquilo que era anteriormente conhecido em infraestruturas como poços, instalações de produção e gasodutos, uma nova investigação, publicada na revista científica Environmental Research Letters, descobriu que, mesmo quando em pequenas quantidades, essas fugas de metano podem produzir emissões poluentes com efeitos da mesma dimensão do que os do carvão.
A descoberta dos cientistas do Rocky Mountain Institute, da NASA e das universidades de Harvard e Duke coloca em causa a ideia de que o gás natural seria uma alternativa melhor para o ambiente do que o carvão porque a sua produção libertaria menos dióxido de carbono na atmosfera, aproximadamente duas vezes menos. Tendo em conta todo o processo produtivo, tal não se verifica.
Em causa fica assim também o discurso das empresas produtoras de gás que vendem a ideia de ser bem menos poluente e que seria uma “energia de transição” ideal para as renováveis. Sobre isto, Mediapart salienta que as grandes empresas dos combustíveis fósseis “estão em via de reorientar os seus capitais para o gás a fim de compensar a diminuição da produção do petróleo” e apresenta as justificações “ambientais” que dão para o fazer.
Em sentido contrário, em defesa do seu trabalho, à NPR, Deborah Gordon, uma das co-autoras, explica que a sua análise compara os efeitos do gás e do carvão em diferente taxas de fuga de metano e descobre que “mesmo taxas de fuga muito pequenas de metano dos sistemas de gás rivalizam com as emissões com efeitos de estufa do carvão”.
No estudo pode ler-se: “calculamos que uma taxa de fuga de 0,2% é suficiente para que o gás tenha impactos climáticos mais importantes que o carvão”. Ao passo que, exemplifica-se, “as bacias de produção de gás nos Estados Unidos revelam taxas de fuga indo dos 0,65% aos 66,2%” e “taxas de fuga similares foram detetadas no mundo inteiro”
E Robert Howarth da Universidade de Cornell, citado pelo site informativo francês, estima que o gás natural liquefeito “possui uma pegada de carbono superior em pelo menos 20% relativamente à do carvão”.