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Garraiada: Mais de 100 ex-dirigentes estudantis de Coimbra exigem respeito por referendo

Subscritores da “Carta aberta pela preservação da tradição democrática da academia” insurgem-se contra a decisão do Conselho de Veteranos de manter garraiada no programa da Queima das Fitas. No referendo de 13 de março, 70,7% dos estudantes pronunciaram-se contra a realização do evento.
À pergunta "Deve o evento garraiada continuar no programa oficial da Queima das Fitas?", 70,7% dos estudantes que participaram no referendo, realizado a 13 de março, responderam "Não". Foto FAP.

Na “Carta aberta pela preservação da tradição democrática da academia”, subscrita por mais de cem antigos dirigentes estudantis de Coimbra, é lembrado que “através de um dos veículos-mor da democracia, o referendum, 70,7 por cento dos votantes decidiu fechar um capítulo que em nada honra uma academia que, desde cedo, se bateu por causas maiores”.

Não obstante “o expressivo resultado” do referendo, “bem como a adesão às urnas, bastante acima da média de recentes eleições”, um “grupo minoritário de alegados estudantes tornou pública a sua pretensão em ir contra a decisão da Academia e, assim, organizar uma garraiada durante o período da Queima das Fitas de 2018”, lê-se no documento.

Esta quarta-feira, 21 de março, o Conselho de Veteranos manter a garraiada no programa da Queima das Fitas de Coimbra, indo contra a decisão do estudantes.

Neste contexto, os antigos estudantes da Universidade de Coimbra, bem como antigos dirigentes da Associação Académica de Coimbra e de órgãos de gestão de diversas faculdades, “tomam publicamente da palavra para, em nome da defesa e salvaguarda do espírito democrático da Academia”, exortar o Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra a respeitar “o resultado do referendo que convocou e reconheça o seu resultado como vinculativo”.

Os subscritores da carta aberta apelam ainda que sejam “tomadas todas as ações legalmente aceites para um distanciamento e uma isenção totais da Academia Coimbrã deste evento tauromáquico, como seja a utilização do nome ou de recursos da Universidade e da Associação Académica de Coimbra”.

“Às autarquias de Coimbra e da Figueira da Foz [apelamos] que não compactuem com este ataque a uma decisão democrática, negando qualquer colaboração institucional com a realização deste eventual acontecimento tauromáquico”, rematam.

AAC compromete-se a defender decisão de estudantes “até às últimas consequências”

Em comunicado, a Associação Académica de Coimbra (AAC) afirma que “não admite, em circunstância alguma, qualquer desrespeito pela vontade democrática dos estudantes da Universidade de Coimbra”.

De acordo com a AAC, a decisão do Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra (UC), no sentido de manter a garraiada no programa da Queima das Fitas, contrariando assim o resultado deo referendo realizado na UC, “constitui uma afronta direta à nossa história coletiva, ao nosso símbolo e assim a cada um dos estudantes da Universidade de Coimbra”.

A Direção-Geral da AAC “reafirma categoricamente a decisão inequívoca tomada pelos estudantes no referendo do passado dia 13 de março e partilhada unanimemente pela Comissão Central da Queima das Fitas”, garantindo que irá defendê-la “intransigentemente” e “até às últimas consequências”.

A estrutura convocou uma conferência de imprensa para o próximo dia 3 de abril, “na qual prestará informações relativamente às múltiplas questões de ordem financeira e programática que se têm suscitado quanto à presente e às anteriores edições e anunciará publicamente as ações que levará a cabo para a reforma estrutural que se impõe na Queima das Fitas”.

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