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Garantir salários "não será mais caro que salvar bancos”

Entrevistada esta segunda-feira à noite na TVI, Catarina Martins elencou como prioridades para o país a garantia do pagamento dos salários a 100% e a proteção dos trabalhadores precários. Sobre o Novo Banco, disse existir “uma divergência absoluta entre o Bloco de Esquerda e o Governo”.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, foi entrevistada esta segunda-feira à noite no Jornal das 8, da TVI. A entrevista, conduzida pelos jornalistas Pedro Pinto e Miguel Sousa Tavares, teve um especial enfoque na reunião que o Bloco teve horas antes com o Governo, onde este lhe apresentou as linhas gerais do seu Programa de Estabilização Económica e Social para Portugal. Mas foi também uma oportunidade para falar sobre outros temas como a TAP, a situação do Novo Banco e o orçamento suplementar.

O jornalista Pedro Pinto começou por questionar Catarina Martins sobre as prioridades do Bloco de Esquerda para estabilizar o país no pós-pandemia. A primeira medida sublinhada pela coordenadora do Bloco é a necessidade de garantir aos trabalhadores o seu salário a 100%. “Não é possível dizer aos trabalhadores que vão viver até ao final do ano com menos 30% de salário”, situação que aconteceria se a medida atual de lay-off fosse estendida até ao final do ano, sem qualquer alteração.

Para o garantir, o Bloco defende que seja implementada uma medida de apoio ao emprego, financiada pelo Estado e pelas empresas, para pagar a totalidade do salário dos trabalhadores. 

Em segundo lugar, Catarina Martins reforçou a necessidade de proteger os trabalhadores precários, que não estão abrangidos nas atuais medidas de lay-off. “Há muitas empresas que estão a receber apoio público (algumas até, grandes empresas do nosso país) que despediram trabalhadores precários”, lembrou a coordenadora bloquista. 

Até agora ainda não houve nenhuma medida do Governo para Cultura

De seguida, Miguel Sousa Tavares interpelou Catarina Martins sobre um recente anúncio do Governo, o da atribuição de 30 milhões de euros para a cultura. Sobre esta questão, a dirigente do Bloco começou por sublinhar que até agora ainda não houve nenhuma medida do Governo dirigida para este setor, o que existe são medidas “normais de financiamento a projetos, por concurso”. A dirigente do Bloco defendeu  a necessidade de um apoio para a cultura, “de emergência, para segurar salários, para segurar os trabalhadores, para permitir que exista um tecido profissional qualificado no nosso país, de que todos nós precisamos.  

A TAP deve ser nacionalizada

Questionada sobre a atual situação da TAP, a deputada bloquista foi peremptória: “A TAP deve ser nacionalizada”. Catarina Martins defendeu esta opção porque a companhia aérea está atualmente numa situação “muito difícil”, que vai exigir a injeção de dinheiro público e “não tem sentido nenhum haver um enorme esforço do Estado para salvar a TAP” sem que depois a companhia não seja dirigida de acordo com o “interesse público de longo prazo, estratégico”.

Sobre isto, o jornalista confrontou Catarina Martins com a dificuldade dos recursos necessários para essa operação. Em resposta, a dirigente bloquista disse não ser possível aceitar ficar sem a TAP, e que isso exigirá um processo negocial, “seguramente complicado”, mas que permitirá ao nosso país manter uma companhia aérea.

“O que não se pode fazer na TAP é o que fazemos no Novo Banco, em que nós pagamos e não mandamos”, resumiu. E uma vez que terá de haver uma intervenção do Estado na companhia aérea, é necessário que o Estado possa mandar e exigir o “escrutínio democrático das decisões da TAP”.

Na Europa existem os recursos necessários para responder à crise

Sobre a possibilidade de financiamento europeu, para apoiar os estados no pós pandemia, Catarina Martins disse ser necessária prudência sobre este fundo e apresentou a proposta do Bloco para que sejam definidas “soluções solidárias, que não aumentem o endividamento, e que não aumentem a dependência dos países, dos mercados financeiros”, erro que foi cometido pela troika. 

A deputada afirmou que na Europa existem os recursos necessários para responder à crise e que o “lay-off não será mais caro do que salvar bancos”. Se há disponibilidade para salvar o sistema financeiro de cada vez que entra em crise, agora, quando há uma crise sanitária, é necessário proteger o essencial: “o emprego, o salário, a casa, os bens essenciais”.

Novo Banco: há uma divergência absoluta entre o Bloco de Esquerda e o Governo

Sobre a polémica da recente transferência para o Novo Banco, Catarina Martins diz que o problema maior é “o dinheiro da transferência e as condições da transferência” e aí está uma divergência absoluta entre o Bloco de Esquerda e o Governo. A dirigente bloquista aproveitou para esclarecer que o Orçamento de Estado “não obrigava à injeção, nem dizia nada sobre o prazo da injeção”, e que o argumento, agora utilizado pelo Governo, de que esta teria de ser feita, “independentemente da auditoria”, porque assim diz o contrato, é uma “absoluta novidade”, até porque esse contrato não é conhecido. 

“Não é aceitável que se apoiem empresas que despedem precários”

Em relação ao orçamento suplementar, Catarina Martins disse que as medidas têm de ter “força na estrutura da economia”, e não podem precarizar mais o trabalho, e exemplificou com a proposta de os apoios às empresas estarem associados a condições. “Não é aceitável que se apoiem empresas que despedem precários” ou que estas distribuam dividendos nesta altura. Além disso, acrescentou a necessidade de proteger a Segurança Social e o Serviço Nacional de Saúde. E lembrou também que o ponto principal das negociações que levaram à abstenção do Bloco que viabilizou o Orçamento para 2020 foi justamente o investimento no SNS com a contratação de mais profissionais.

Bloco de Esquerda estará envolvido no debate da “melhor candidatura” para proteger o Serviço Nacional de Saúde

No final, houve espaço para uma pergunta sobre as eleições presidenciais. Sobre isto, Catarina Martins disse que o “Bloco de Esquerda estará envolvido no debate da melhor candidatura” para proteger o Serviço Nacional de Saúde, debater o sistema financeiro, responder à “nossa economia” e aos desafios que temos sem deixar ninguém para trás.   

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