Numa visita à Feira de Espinho, acompanhada pelo candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Espinho, Catarina Martins reagiu ao reconhecimento local pelo trabalho do Bloco. “As pessoas vêm-nos falar das suas pensões porque sabem que lutámos pelo seu reforço. Vêm-nos falar das urgências do hospital de Espinho porque sabem que fizemos a proposta para que o hospital abrisse. Portanto, reconhecem o Bloco de Esquerda a nível nacional e local”.
Abordou de seguida uma questão que tem estado fora da campanha: a precariedade. “Oito em cada dez novos empregos são precários. O combate à precariedade é uma prioridade do Bloco de Esquerda que apresentou alterações à legislação laboral. Mas também há responsabilidades das autarquias. Porque são empregadoras de precários e dão mau exemplo ao país”, criticou.
“O Bloco de Esquerda foi o único partido que, de forma consistente, combateu pela integração de precários nas autarquias. Em Lisboa, o PS dizia que só existiam dez. Vinculámos mil. Nestas eleições autárquicas defender quem trabalha nas autarquias, acabar com a precariedade é um tema fundamental de campanha”, continuou por dizer.
Sobre a inesperada reviravolta do primeiro-ministro face ao despedimento coletivo na Galp, que este domingo considerou que a empresa merecia ser punida, Catarina Martins considerou que “é estranho que a mesma pessoa que enquanto primeiro-ministro e dirigente do Partido Socialista chumbou as propostas do Bloco de Esquerda que podiam defender os precários e trabalhadores da Galp, venha agora fazer um discurso sobre o que a Galp não pode fazer. O poder político define regras e o Partido Socialista não quis impor regras. Deixou que a Galp despedisse todos os precários, e depois os trabalhadores”, considerou.
“Uma empresa que tem lucros num momento de crise pandémica não pode despedir. Esta foi a posição do Bloco de Esquerda que o Partido Socialista rejeitou”. E relembrou que “o Estado tem uma posição acionista na Galp. Questionei o primeiro-ministro em debates quinzenais sobre o que iria fazer o governo, e respondeu que nada faria. Nem sequer utilizou à posição acionista do Estado para travar os despedimentos”.
“Estamos sempre a tempo de proibir despedimentos a quem tem lucros. Estamos sempre a tempo de impedir empresas como a Galp de terem falsos precários. E estamos sempre a tempo de utilizar o Estado enquanto acionista para proibir estes despedimentos. É muito estranho que António Costa não o tenha feito até agora”, continuou por dizer.
Os trabalhadores da Galp “viram o tapete sair-lhe de debaixo dos pés. O que pensará um trabalhador da refinaria da Galp ouvir alguém que impediu qualquer medida para proteger o seu trabalho dizer depois que aquilo não podia ter acontecido? A política não pode ser um exercício de cinismo. Tem de ser sobre soluções para a vida das pessoas. O Estado devia ter tomado uma posição e António Costa recusou. Não pode estar chocado com aquilo que quis”, concluiu.