Gaia: Renato Soeiro quer evitar pressão turística “asfixiante”

21 de julho 2017 - 12:32

“Não podemos perder o turismo para a cidade, mas também não podemos perder a cidade para o turismo”, afirmou o candidato do Bloco à Câmara de Vila Nova de Gaia.

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Renato Soeiro no comício de apresentação da candidatura na Afurada. Foto esquerda.net

No comício de apresentação da candidatura bloquista à autarquia gaiense, Renato Soeiro destacou o turismo no concelho como uma das principais preocupações. "Temos de fazer com que o resto do concelho possa beneficiar a onda de turismo que já está a criar sinais muito preocupantes na ribeira", resumiu o candidato, citado pela Lusa, propondo a criação de um programa turístico com meios de transporte baratos ou gratuitos a partir da beira-rio ou da Serra do Pilar.

Reconhecendo o “grande prestígio” de Gaia pela sua história ligada ao vinho do Porto, Soeiro avisa que o concelho não se pode transformar numa "Vinholandia" para turistas. "Corre-se o risco de ver milhares de turistas e lojas de ‘souvenires' ‘made in China’, mas também de ouvir os guias turísticos dizer em várias línguas que aqui foram as caves do vinho Porto. Às vezes ouvimos umas vozes ingénuas que dizem que o turismo nunca matará as cidades. Isso não é verdade", apontou.

Para evitar esse cenário, o candidato bloquista quer reforçar a ideia de que "Gaia não é só as caves do vinho do Porto" e propõe a criação de um museu que evoque a história ligada à cerâmica e uma maior divulgação dos "grandes nomes da escultura do concelho que têm obras espalhadas pelo país todo".

"Na Câmara, se formos eleitos, seguiremos um princípio muito simples e muito claro: não podemos perder o turismo para a cidade mas também não podemos perder a cidade para o turismo”, afirmou Renato Soeiro, lembrando que "Gaia, no seu conjunto, ainda não está a sofrer a pressão turística asfixiante”, sendo "até preciso levar os turistas" de forma a "dinamizar o comércio local e criar emprego".

Renato Soeiro criticou ainda a descaracterização do centro histórico de Gaia, que apresenta "já danos evidentes e difíceis de reverter”. "O parque de estacionamento é uma barbaridade total a cortar a vista sobre o rio. E outras coisas esquisitas se passam como a recente colocação de um supermercado ‘cash & carry' no sítio onde estava previsto um centro cultural. Nem só de cultura vive o homem. Também precisamos de arroz e batatas na dispensa. Mas se andam sempre a dizer que a beira-rio é a sala de visitas de Gaia, a que propósito foram pôr as prateleiras da dispensa dentro da sala de visitas? Como é que o dono da casa deixou fazer esta aberração?", questionou.