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Fruticultores da Beira Interior com quebras na produção e nas vendas

As características de solo e clima da Beira Interior tornam-na, habitualmente, ideal para a produção de frutas. Mas este ano está a ser diferente, com quebras nas vendas por causa da pandemia e na produção à conta do clima incerto do ano. Artigo do Interior do Avesso.
Quebras na produção e nas vendas de frutas na Beira Interior, por causa da pandemia e do clima incerto do ano
Quebras na produção e nas vendas de frutas na Beira Interior, por causa da pandemia e do clima incerto do ano

Na Beira Interior produzem-se pêssegos, cerejas, uvas, maçãs, pêras, framboesas e mirtilos, entre outras frutas sazonais ou não. A altura de verão é particularmente agitada com as colheitas da “fruta da época”. O diário Interior recolheu testemunhos de fruticultores que dão conta de uma realidade diferente este ano.

Lurdes Carapito, de Orjais (Covilhã), produz e comercializa maçã, pêssego e pêras. Afirma que “este ano está a ser diferente” e que, afetada pela crise pandémica, está "com muita dificuldade em vender”.

Além das dificuldades sentidas nas vendas, conta como o clima não tem sido favorável à produção: “Estas temperaturas muito frias na floração e de calor extremo na maturação complicam tudo”, assinalou, acrescentando que a situação está “cada vez pior, porque o clima muda de ano para ano”.

Francisco Manuel, também fruticultor de Orjais, corrobora que o tempo é incerto e que “as árvores sofrem muito com estas horas de calor extremo”.

Também Filipe Costa, gerente da Cerfundão, afirma que este é “um ano de quebra na produção”. Como causas aponta as condicionantes climatéricas, uma vez que “o calor extremo queima a fruta”.

O deputado do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda Ricardo Vicente, membro da Comissão Parlamentar da Agricultura e Mar, esteve na região, mais especificamente na Cova da Beira, a propósito dos fenómenos meteorológicos extremos do final de maio. Neste seguimento, o Projeto de Resolução 518/XIV, que recomenda ao Governo a criação de um apoio urgente aos produtores afetados por eventos meteorológicos extremos, foi aprovado em julho.

No entanto, o Projeto de Resolução 79/XIV, “Pelo fim do financiamento público das culturas agrícolas intensivas e superintensivas e aposta na transição ecológica”, que procurava ser o ponto de partida para uma resposta estrutural para os problemas sentidos pelos agricultores perante fenómenos meteorológicos extremos, foi chumbado com os votos contra do PCP, PS, PSD, CDS e Chega.

Artigo publicado em Interior do Avesso em 10 de agosto de 2020

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