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Frio causou “níveis dramáticos” de má qualidade do ar

A Associação Ambientalista Zero alertou para a necessidade de reduzir a queima de lenha que provoca poluição atmosférica e encontrar alternativas estruturais que começam pela sustentabilidade energética dos edifícios.
Lareira. Foto de anoldent/Flickr.
Lareira. Foto de anoldent/Flickr.

Em comunicado divulgado este sábado, a Associação Ambientalista Zero mostrou-se preocupada com os “níveis dramáticos” de qualidade do ar que resultaram das baixas temperaturas do fim de semana passado e alertou para a necessidade de reduzir a queima de lenha.

O que se passou no passado fim de semana foi, para os ambientalistas, “um episódio de poluição particularmente grave pelas enormes emissões provenientes do uso de lenha em muitas habitações em zonas urbanas e rurais que se verificaram desde a Península de Setúbal até à região Norte”.

Através de uma consulta à página da Agência Portuguesa do Ambiente, que disponibiliza as medições, chegou-se à conclusão que no domingo passado “foi ultrapassado o valor-limite diário de partículas inaláveis em cinco estações de monitorização de qualidade do ar das redes geridas pelas diferentes Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional”. Os casos mais graves foram na estação de Paio Pires, no Seixal, e em Estarreja.

Neste dia, o índice de qualidade do ar foi “mau” na Área Metropolitana de Lisboa Sul, que integra municípios da margem sul do Tejo, “fraco” em três zonas a norte do Tejo e “médio” nos restantes locais, com “uma única exceção no interior centro”.

Contudo, este não é o quadro completo da qualidade do ar no país. Porque, salienta a zero, faltam dados em muitas estações da região Norte. “No dia 17 de janeiro, não existiam dados de partículas inaláveis (PM10) disponíveis em 21 estações, nem dados relativos a partículas finas (PM2.5) que deveriam ser disponibilizados em cinco estações”, sendo que no norte litoral o frio apertou, esta zona “muito provavelmente apresentaria concentrações ainda mais elevadas do que as restantes zonas do país.”

Para além do frio, houve outro fator: o vento fraco também contribuiu para o problema porque limitou “uma maior dispersão dos poluentes”.

A Zero destaca que o sucedido é “consequência da falta de políticas que alertem para a perigosidade do uso excessivo de lenha, principalmente de forma ineficiente, e do custo que soluções alternativas estruturais têm, a começar pela sustentabilidade energética dos edifícios, à promoção de sistemas de climatização ativa eficientes e menos poluentes”. Exige-se que se avance com a estratégia para a reabilitação de edifícios públicos e privados que seria “a medida verdadeiramente estruturante e de longo prazo que é necessário implementar e cujo avanço deve ter lugar em breve”. A estratégia de combate à pobreza energética é vista também como “um elemento essencial para lidar com a incapacidade de muitas famílias para conseguirem garantir conforto térmico nas suas casas”.

Os ambientalista assinalam que os efeitos destas partículas inaláveis se manifestam sobretudo ao nível do aparelho respiratório. As partículas em suspensão são normalmente filtradas, “podendo estar relacionadas com irritações ao nível do nariz e das vias respiratórias superiores, e hipersecreção das mucosas”. Por sua vez, as partículas mais finas “são normalmente mais nocivas dado que atingem os pulmões em profundidade e passam para a corrente sanguínea, causando e/ou agravando doenças respiratórias e cardiovasculares, e até cancro do pulmão”.

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