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França Insumbissa apresenta moção de censura ao governo remodelado

A recusa da primeira-ministra Élisabeth Borne em submeter o novo executivo a uma moção de confiança no Parlamento levou a maior bancada da esquerda a desafiá-la com uma moção de censura, que será discutida na quarta-feira.
Promeira-ministra francesa Élisabeth Borne. Foto publicada na sua conta Twitter.

"Senhora Borne, não se maltrata a democracia impunemente.  Por isso, vamos trazê-la à força ao Parlamento", escreveu a líder parlamentar da França Insubmissa após a primeira-ministra anunciar que não irá submeter a uma moção de confiança o seu Governo, recém-remodelado após o desaire eleitoral de há poucas semanas em que perdeu a maioria absoluta. Nesse tweet, Mathilde Panot anunciou a apresentação de uma moção de censura ao Governo, que será discutida no Parlamento esta quarta-feira.

Para derrubar o executivo de Élisabeth Borne são necessários 289 votos a favor da moção de censura, ou seja, o seu sucesso depende dos votos de todas as bancadas da esquerda, mas também dos grupos parlamentares à direita do partido de Macron, como os Republicanos ou a União Nacional de Marine Le Pen.

Apesar de ter prometido ir liderar a oposição a Macron, o que tem acontecido nas últimas semanas são aproximações entre os partidos de Le Pen e do Presidente francês na negociação de cargos na nova Assembleia. O objetivo de ambos passa por excluir os eleitos da NUPES, a coligação de esquerda que soma o maior número de deputados da oposião parlamentar. Com o apoio da bancada macronista, a extrema-direita conseguiu eleger dois vice-presidentes da Assembleia. Por essa razão, o site de notícias da França Insubmissa prevê que "as máscaras podem cair no momento do voto da moção de censura", com a direita e a extrema-direita a viabilizarem o executivo.

Remodelação do Governo confirma preferência das negociações à direita

Como lembrou também a líder parlamentar da França Insubmissa, Élisabeth Borne é a primeira-ministra europeia com menor representatividade eleitoral do seu partido, tendo obtido apenas 25,8% dos votos, o que corresponde a apenas 12,2% dos eleitores recenseados. Números que justificam ainda mais, no entender de Mathilde Panot, a exigência de se submeter a um voto de confiança por parte dos parlamentares.

Na segunda-feira, o presidente francês anunciou a remodelação do Governo que tinha tomado posse há mês e meio, mantendo a tradição de substituir quem se candidata ao Parlamento e é derrotado, como foi o caso das ministras da Saúde e Planificação Ecológica. O nome desta pasta foi visto como um sinal de aproximação a uma proposta da esquerda nas presidenciais, mas agora volta a desaparecer, substituído por "Transição Ecológica". Outra saída esperada foi a do ministro Damien Abad, que tem sido alvo de várias acusações de agressões sexuais.

Para a importante pasta dos Assuntos Parlamentares, num contexto em que a sobrevivência do Governo depende da aprovação proposta a proposta, foi chamado o antigo diretor de campanha de Sarkozy, Franck Riester, antigo dirigente de várias formações da direita francesa - UMP, Republicanos, Agir - que hoje é a parceira preferencial da governação macronista em França.

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