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França: 10 mil vítimas de pedofilia no interior da Igreja

A Comissão Independente que investiga estes crimes apresentou a estimativa com base nos testemunhos que lhe chegaram e nos inquéritos realizados. Mas admite não ter forma de calcular qual a dimensão do fenómeno que conseguiram desvendar.
Padre. Foto do Facebook.
Padre. Foto do Facebook.

Depois de vários escândalos de pedofilia no interior da Igreja Católica francesa, foi criada pelo episcopado, em 2018, em colaboração com o ministério da Justiça, uma comissão de investigação independente. Jean-Marc Sauvé, o presidente deste organismo, veio esta terça-feira apresentar a estimativa do número de crianças e adolescentes que terão sido vítimas de violências sexuais por parte de membros da Igreja Católica em França: desde 1950, terão sido 10.000. O número é baseado quer na recolha de dados quer nos testemunhos de vítimas que foram chegando a uma linha telefónica criada em 2019. Foram recebidas 6.500 chamadas.

Sauvé admite à France Inter, contudo, que possam ser mais porque a campanha continua a pedir testemunhos e “certamente não reuniu a totalidade”. Questiona-se assim: “neste momento qual é a percentagem de vítimas que atingimos? 25%? 10%? 5%?”.

Este alto quadro da Função Pública francesa, também ele católico, apresentou dados preliminares que apontam para que 62% das vítimas tenham sido rapazes e 38% raparigas. Metade das vítimas situaram os abusos sexuais entre os anos 1950 e 1960. 5% antes, 18% nos anos 1970 e 12% nos anos 1980. Esclarece ainda que estes abusos “foram cometidos por padres que eram familiares às crianças”, a maior parte em estabelecimentos de ensino católicos. Segundo o que se descobriu, houve mais casos de abusos cometidos nas casas das vítimas do que nas dos padres, dada a proximidade de que gozavam com a sua família.

Em setembro, esta comissão conta apresentar um relatório final com recomendações de práticas de combate à pedofilia no interior da Igreja Católica.

O ponto de situação da investigação chega depois da reunião da Conferência Episcopal francesa, em fevereiro, não ter tomado qualquer medida prática de combate, mas ter admitido que “no passado, houve falhas na gestão das coisas, sem falar dos crimes cometidos", palavras de Luc Ravel, arcebispo de Estrasburgo.

Ravel concede que a Igreja está dividida “sobre a noção de responsabilidade coletiva em relação ao passado. Alguns acreditam que é preciso solidariedade em relação às gerações precedentes”.

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