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França: Dia D para a expulsão de 700 ciganos

Começa esta quinta-feira a expulsão de 700 cidadãos de etnia cigana do território francês, uma medida ordenada pelo Governo de Nicolas Sarkozy.
O governo de Sarkozy é acusado de estar a promover um "racismo de Estado". Foto LUSA/EPA/HORACIO VILLALOBOS/POOL

Para iniciar o plano de repatriamento de cidadãos de etnia cigana, de origem romena e búlgara, descola esta quinta-feira um primeiro avião, segundo anunciou o Ministro do Interior francês, Brice Hortefeux. Até ao fim do mês de Setembro estão ainda previstos mais dois voos, totalizando a expulsão de 700 pessoas do território francês.

Estas expulsões fazem parte de um plano, iniciado no passado mês de Julho, através do qual foram já desmantelados 51 acampamentos de comunidades ciganas em França. 

Os casos de desmantelamentos de acampamentos ocorridos em Saint-Denis, ou em Montreuil, na periferia de Paris, de onde foram expulsas 185 pessoas, algumas das quais já nascidas em França, espelham bem as pressões xenófobas a que estas comunidades estão sujeitas por parte do Governo francês, o que levou já várias associações de defesa dos Direitos Humanos a repudiarem este tipo de acção.

Com efeito, estas expulsões levaram já a reacções por parte dos Governos da Roménia e da Bulgária tendo o Ministro dos Negócios Estrangeiros romeno, antigo embaixador da Roménia em Paris, alertado para “reacções xenófobas”.

Também a Comissão Europeia reagiu a estas expulsões na voz da comissária europeia da Justiça e Direitos Fundamentais, Viviane Reding, que referiu que [a França] “deve respeitar as regras sobre a liberdade de circulação e a liberdade de organização” dos cidadãos europeus. Ainda outro porta-voz da Comissão, Matthew Newman, indicou que esta segue “muito atentamente” toda a situação. 

Este pacote de medidas repressivas, que inclui ainda mais vigilância, surge na sequência dos motins entre a população cigana em Saint-Aignan, após uma intervenção policial que causou a morte a tiro de um membro da comunidade. 

Em França, os partidos de esquerda, sobretudo, mas também vários deputados de direita, acusam o governo de Sarkozy de estar a promover um "racismo de Estado", classificando a actual política de "chocante" e "vergonhosa". 

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