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“Forma de estar de Marcelo não tem a ver com feitio, mas com agenda política”

Em entrevista à Antena 1, Marisa acusou Marcelo de consolidar bloqueios que já vêm do Governo e diz que o pacote de apoio apresentado na quinta-feira foi o reconhecimento de que o Orçamento era insuficiente.
Marisa Matias
Marisa Matias em entrevista à Antena 1. Foto Antena 1/Twitter

Marisa Matias comentou esta sexta-feira de manhã, em entrevista à Antena 1, que o pacote anunciado pelo Ministro da Economia e Ministra da Cultura é o reconhecimento da falha no que aprovou para o Orçamento de Estado de 2021, algo que considerou como “passo positivo” na medida em que o Governo percebeu que faltavam no Orçamento os apoios aos trabalhadores em situação precária, como trabalhadores temporários e trabalhadores informais.

“Parece já estar a ser confirmado hoje de que aquilo que foi apresentado no Orçamento não era suficiente para responder à crise, que não era um Orçamento que respondesse nem na saúde, nem na proteção laboral e isso foi sempre dito”, frisou, lamentando que o Partido Socialista e o Governo não tivessem chegado a essa conclusão mais cedo “e escusávamos, se calhar, de ter tido as discussões que houve e ter tido já esse entendimento mais exigente”. No entanto, para a candidata presidencial, é possível que este seja um abrir de portas para “entendimentos mais exigentes e dar resposta não apenas no trabalho, nestes apoios que ainda assim não são suficientes, mas também na resposta ao Serviço Nacional de Saúde, que é tão necessário”.

Do lado do Bloco de Esquerda, referiu que no cenário inevitável de necessidade de um orçamento suplementar, “estará sempre disponível para essas medidas, para essas negociações, se elas responderem àquelas que são as necessidades em cada um dos momentos”, já que, infelizmente, teremos a curto prazo mais demonstrações do quão insuficiente estava o Orçamento para 2021.

Essas insuficiências passam não só pelo reforço do SNS, onde “o Governo não aceitou introduzir medidas para o orçamento que garantisse a exclusividade dos profissionais de saúde e dessa forma reforçar o Serviço Nacional de Saúde que é tão necessário” mas também, por exemplo, em relação às empresas unipessoais - que afecta desde cabeleireiros a pequenos cafés -, e que não foram abrangidos neste recente pacote de apoios anunciado pelo Governo. “Preocupa-me muito que o tecido industrial português seja composto por tantas micro empresas e que a gente não saiba o que é que vai acontecer a essas empresas”, frisou Marisa.

Sobre a prestação do atual Presidente da República, Marisa Matias disse que “houve uma forma de estar de Marcelo Rebelo de Sousa que não tem a ver com feitio, tem a ver com agenda política, com intenção, que não contribuiu para nós resolvermos os principais bloqueios que temos”, nomeadamente na questão da saúde e do Serviço Nacional de Saúde, com a “pressão que fez para manter os privados e as parcerias público-privadas no quadro da lei de bases de saúde que tinha sido proposta por António Arnaut e João Semedo”, numa “posição claríssima e que desvirtuou o que podia ser a resposta que teríamos”. Também na questão do trabalho precário, lembrou que Marcelo não travou “a lei que permite alargar o período experimental e desse ponto de vista agravar o problema já tão grave” e lembrou que “só no ano de pandemia sabemos de 200 mil pessoas perderam o trabalho e não temos nenhumas dúvidas, são as pessoas mais precárias as primeiras a perder esse vinculo”.

“Marcelo Rebelo de Sousa não ajudou a desbloquear estes problemas que já vêm do Governo”, apenas ajudou a consolidá-los, entendeu Marisa, que diz ter apresentado a sua candidatura “porque que acho que podemos ter na Presidência da República alguém que ajude a travar esses bloqueios e a ter respostas para as pessoas”, concluiu.

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