José Manuel Pureza foi entrevistado pelo Expresso na sua edição de fim de semana e falou do atual momento político para defender que a esquerda não pode depender do novo Presidente da República para a sua revitalização, pois isso seria “admitir uma demissão da esquerda relativamente ao que tem de fazer”. Sobre a declaração de António José Seguro de que viabilizaria o pacote laboral se tivesse o acordo da UGT, o coordenador bloquista diz que “não faz nenhum sentido” e que mesmo que tal acontecesse o Presidente tem de ter posição sobre a substância do documento e não sobre o processo.
“O que dará força à esquerda é a sua capacidade de fazer propostas para quem foi afetado pela tempestade, que tem os direitos laborais em risco ou que não tem médico de família. A força da esquerda faz-se no terreno da luta social”, defendeu o coordenador do Bloco.
Base das Lajes
Pureza responde a Rangel e acusa Governo de pôr “os seus interesses à frente da decência”
No tema da união de esforços à esquerda, Pureza saudou os exemplos da greve geral de dezembro e da recente convergência do Bloco, PCP e Livre para suscitar a apreciação parlamentar do corte no salário dos trabalhadores em regime de lay-off. “Foi fácil haver uma articulação para exigir que seja reposta a decência. E é assim que tem de ser”, afirmou.
À redução da presença parlamentar do partido e consequente redução da atenção mediática, Pureza contrapõe a preocupação de “termos uma presença de qualidade e de força”, dando o exemplo das reuniões com as centrais sindicais e sindicatos independentes “para mostrar que o caminho da unidade é aquele que dará capacidade de confronto com a proposta do Governo”, ou o trabalho da direção bloquista com os movimentos sociais na preparação das mobilizações de março pelos direitos das mulheres ou o direito à habitação.