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"Follow the money"...

Sabe-se hoje que o Alternativa para a Alemanha, partido de extrema-direita alemão, desde a sua origem, tem sido financiado por um multimilionário residente na Suíça. Texto de César Sousa.
Augusto von Finck – O multimilionário que será o financiador do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha
Augusto von Finck – O multimilionário que será o financiador do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha

Uma frase que, de tão pertinente, estamos bastante habituados a ouvir em séries e filmes policiais.

Sabe-se hoje que o Alternativa para a Alemanha, partido de extrema-direita alemão, desde a sua origem, tem sido financiado por um multimilionário residente na Suíça, o paraíso... fiscal, paraíso de quem não concorda com uma visão de sociedade comunitariamente constructiva e transformadora. Ora, posta esta informação em cima da mesa, importa perguntarmo-nos: "Porque financiam multimilionários a extrema-direita?". A resposta é, na verdade, simples: "O capital e o fascismo são amigos de longa data". Tal viu-se bem pela resposta positiva das bolsas aquando da projeção da eleição de Bolsonaro no Brasil.

A demagogia fascista, apesar dos mais recentes ímpetos disseminadores de "fake news"(com o intuito de fugir ao verdadeiro debate político e de ferir a idoneidade política, vestindo um manto branco manchado até aos pés, de falsa honestidade) tem já uma tradição bem acentuada de emergência de populismos desviadores dos olhos dos cidadãos- muitas das vezes os mais fragilizados pelo sistema- em relação aos que serão os interesses desses cidadãos, seus obstáculos e seus adversários. A extrema-direita é profissional em dizer: "É o imigrante que te rouba o pão, não é o empresário que sobrecarrega os trabalhadores com horas extras para não te contratar"; "É o cigano que colapsa o Estado Social, não é o milionário que abre contas off-shore para não pagar impostos, ao mesmo tempo que beneficia de subsídios e apoios às empresas". E como sabemos, porque a História nos ensina, é mestre em dizer "A economia deve ser sustentada pelos privados que nós decidimos proteger", que, espantem-se, historicamente consistem nas famílias das várias elites nacionais (porque cada um na sua casa, como eles gostam), campeões da concentração de riqueza, sempre com um dedo enfiado no poder político, porque se as empresas estiverem bem, o país está bem,e os cidadãos estão bem, mesmo que se divida uma sardinha por seis pessoas. São os protagonistas do teatro de apontar o dedo ao igual, de divisão da classe trabalhadora e da defesa dos interesses empresariais e elitistas nos bastidores, justificando-se sempre com o supremo interesse nacional (mas de quem?). São o lobo vestido de cordeiro pronto a comer o rebanho.

Então, pense-se: Há quem diga por aí que "Extrema-direita, extrema- esquerda... É tudo igual!" Mas se assim é, porque não se vê nenhum multimilionário a financiar partidos de extrema- esquerda? Talvez a resposta seja tão simples quanto a anterior: A extrema-esquerda e o capital são inimigos de longa data. Porque a extrema- esquerda diz " É preciso redistribuir riqueza dos mais ricos para os mais pobres e manter a economia dinamizada com capital circulante, e combater a concentração de riqueza"; "É preciso travar as fugas fiscais, para que se invista nos sistemas nacionais (de saúde, educação, justiça)de forma a que estes sejam humana e materialmente capacitados, gratuitos e universais"; "Nacionalize-se a banca! É inadmissível a banca pertencer a uns poucos poderosos, que detêm na sua mão o futuro de milhões de vidas!"; "É preciso que os trabalhadores se unam e tomem o que é seu por direito"; "É preciso mais democracia e transparência". É por este tipo de discurso que não encontramos multimilionários a financiar partidos de extrema-esquerda, e é por isso que o capital e estes são inimigos de longa data.

Assim, claro está como a água que "Follow the money" é tão pertinente no ambiente policial como na política, tanto como a velha máxima "diz-me com quem andas e eu dir-te-ei quem és".

Texto de César Sousa

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