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Floresta: “Não basta ter pena quando arde”

A coordenadora bloquista visitou um eucaliptal de 94 hectares, da Navigator, e apontou que o eucalipto “é a espécie que causa mais vítimas”. Questionada sobre o OE 2019, Catarina Martins afirmou que “não há nenhum ultimato”, sublinhando que o Bloco não aceita “negociar recuos”.
Catarina Martins afirmou: "o eucalipto pode ser a espécie de rentabilidade mais rápida, mas é a espécie que causa mais vítimas" – Foto esquerda.net
Catarina Martins afirmou: "o eucalipto pode ser a espécie de rentabilidade mais rápida, mas é a espécie que causa mais vítimas" – Foto esquerda.net

Repetir erro após erro"

A coordenadora do Bloco de Esquerda visitou esta segunda-feira uma mega rearborização de 94 hectares de eucalipto às portas do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE).

"Estamos numa zona que não ardeu, onde existia pinheiro bravo e árvores autóctones, e basicamente 94 hectares foram arrasados para plantar eucalipto, que é a espécie que mais causa problemas com os incêndios. Ora, se queremos proteger o país e não repetir as asneiras do passado, precisamos de começar a olhar para a reflorestação a sério", criticou Catarina Martins, segundo a agência Lusa.

"Basicamente o que acontece é que a Navigator [Company], a celulose, tem a concessão destes terrenos e vai plantar 94 hectares de eucalipto arrancando as árvores que já cá estavam, ou seja, nem sequer foi uma área que tenha tido problemas com os incêndios. E, do nosso ponto de vista, isto é completamente insano, é repetir erro após erro", frisou.

Catarina Martins disse que do ponto de vista legal, tudo foi feito quando a lei permitia, mas considera que foi um erro, e sublinha: “avisámos o Governo de que era preciso parar os eucaliptos antes”.

“Não basta ter pena quando arde, dizermos que não pode continuar a acontecer, e depois, do ponto de vista económico, não haver soluções e vermos o eucalipto a continuar a espalhar-se no nosso país", salientou ainda Catarina Martins, apontando que há duas questões fundamentais:“criar condições de apoio a unidades de gestão e o banco de terras, para que os pequenos proprietários se possam unir e ter respostas de apoio para outras espécies que não o eucalipto”.

"O eucalipto pode ser a espécie de rentabilidade mais rápida, mas é a espécie que causa mais vítimas", concluiu.

O que já foi legislado tem de estar resolvido antes do próximo orçamento”

Questionada sobre as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto dos Santos Silva, que se queixou de o Bloco ceder à “tentação de fazer ultimatos”, a coordenadora bloquista afirmou:

"Tenho dito todos os dias a mesma coisa e vou repeti-lo. Nós achamos que aquilo que já foi legislado tem de estar resolvido antes do próximo orçamento".

A dirigente bloquista exemplificou com os casos do descongelamento das carreiras dos funcionários públicos, “incluindo as questões do tempo de serviço dos professores e de outros”, e o compromisso para combater a precariedade. “Está na lei, é para cumprir antes do OE para 2019”, salientou, apontando que “cabe ao Governo retirar as propostas que foram postas à última da hora por acordo com os patrões e que são ao contrário do que estava acordado para combater a precariedade. É preciso que estas coisas sejam decididas antes do OE 2019”.

"Não há nenhum ultimato. Há é a determinação de sempre do Bloco de Esquerda de trabalhar setorialmente, dossiê a dossiê, em avanços. O que não aceitamos é que alguém queira negociar recuos", concluiu Catarina Martins.

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