Fim do Inglês obrigatório no 1º ciclo "é atraso civilizacional"

18 de setembro 2013 - 15:51

Em pleno caos na abertura do ano escolar, Nuno Crato anunciou um exame obrigatório de Inglês no 9º ano. Dois meses antes, acabou com o ensino obrigatório de Inglês no 1º ciclo, aumentando a desigualdade no conhecimento da língua dos alunos que irão a exame. Para Catarina Martins, "esta medida revela o desnorte de um ministro que gosta de brincar à exigência".

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A partir deste ano letivo, muitos alunos vão ficar à porta das aulas de inglês, após Crato ter acabado com a sua obrigatoriedade nas AEC

O despacho do ministro da Educação foi assinado em julho, quando reduziu as Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) aos alunos do 1º ciclo, retirando também a obrigatoriedade do ensino de Inglês, revelou esta quarta-feira o Correio da Manhã. 

"Esta medida representa um atraso civilizacional numa área fundamental para o futuro do país, já que vivemos num tempo em que a aprendizagem do inglês é um instrumento essencial, como aprender a ler e a escrever", afirmou a coordenadora do Bloco. Para Catarina Martins, esta decisão de Nuno Crato foi tomada "por despacho, às escondidas das pessoas e sem o debate público que uma situação destas exigiria". 

"Ao retirar a uma parte das crianças a aprendizagem do Inglês no 1º ciclo ao mesmo tempo que anuncia exames daquela língua no 9º ano, Nuno Crato revela uma vez mais a incongruência das decisões e o desnorte que é a imagem de marca do atual Ministério", prosseguiu Catarina Martins, para quem Nuno Crato já deu provas de gostar  de "brincar à exigência" à custa dos alunos da escola pública, retirando professores, sobrelotando as turmas e degradando progressivamente a qualidade do ensino a que têm direito nas escolas portuguesas.

Para o diretor da Associação Portuguesa de Professores de Inglês, ouvido pelo semanário Expresso, as decisões contraditórias do ministro irão provocar uma situação "caótica". Alberto Gaspar diz que a partir de agora, entre os alunos que entram no segundo ciclo haverá os que nunca tiveram contacto com o Inglês na escola e os que o tiveram até quatro anos, dependendo da escola que frequentaram.

Mas independentemente da disparidade nos conhecimentos adquiridos com a língua inglesa, todos serão sujeitos ao exame anunciado pelo ministro no 9º ano de escolaridade. E se juntarmos a reduzida carga horária da disciplina no 9º ano - 90 minutos por semana - com o aumento do número de alunos por turma, Alberto Gaspar alerta para uma situação criada por Nuno Crato que irá impedir "o desenvolvimento de competências escritas e orais" para esse exame obrigatório e que pode contar para a nota final, caso as escolas queiram que assim seja.

Para já, são muitos alunos do 1º ciclo os primeiros prejudicados. Segundo relata o Correio da Manhã, o Agrupamento de Escolas do Restelo já informou os pais que este ano não haverá Inglês nas AEC. A alternativa para esses alunos que se vejam privados do ensino dessa língua na escola pública passará por colocar os pais a pagar pelo Inglês ensinado fora da escola.